Covid-19 invade os boxes de CrossFit

Um novo ciclo da pandemia da covid-19 vem sendo escrito de forma assustadora e dessa vez o CrossFit esta na linha de fogo. Se na primeira leva tivemos as academias todas fechadas, dessa vez o vírus começa invadir os boxes do país. Porém, boa parte desse problema vem ganhando força por culpa dos próprios atletas e praticantes da modalidade.

No município do Rio de Janeiro, uma nova lei coloca a atividade física como essencial para a saúde da população. Porém, a própria população precisa cuidar para que de fato a ida as academias e boxes sejam realmente benéficas a saúde.

Contudo, um fato que se tornou um dos grandes problemas, é a falta de informação ou notícias falsas lançadas na rede sobre o aumento e a queda dos casos da covid-19. Pensando nisso e tentando trazer o mais próximo as informações para o cenário real, conversamos com o médico, Dr. Rodrigo Jasbick, criador do perfil “Seu Médico Faz CrossFit!” para entender a realidade do cenário atual.

Sem papas na língua o médico confirmou o aumento: “os casos infelizmente estão voltado a subir. Com o relaxamento das restrições e a falta de zelo da população em geral, era esperado que isso acontecesse. E as coisas estão acontecendo como da primeira vez. Iniciando na Europa e se alastrando pelo mundo. No Brasil por exemplo, São Paulo e Rio lideram novamente esse movimento e logo em seguida será esperado que ocorra no interior”.

Covid-19 mais próximo?

Outro fator que vem chamando a atenção é o forte número de pessoas contaminadas dentro boxes que acabou aparecendo nessa segunda leva. Dessa forma, muitos que viam o vírus de longe, passaram a conviver bem mais próximos deles, vendo amigos e companheiros de treino contaminados.


Dr. Rodrigo Jasbick, criador do perfil “Seu Médico Faz CrossFit!”

Porém, segundo Rodrigo, esse aumento não quer dizer uma contaminação restrita aos boxes: “isso ocorre pela disseminação natural do vírus durante uma pandemia. Além do relaxamento das medidas restritivas, hoje temos muito mais gente infectada. Agora testam-se muito mais pessoas do que no início. Com isso há impressão de mais pessoas próximas contaminadas”.

Outro grande problema, que ajuda a contaminação do vírus é o fato de muitas pessoas serem assintomáticas e não perceberem que estão com o vírus, nesse caso, o médico explica que a melhor saída e se proteger. “Se você não tem sintomas, dificilmente saberá se está contaminado. Por isso mesmo, nossa atitude deve ser sempre preventiva. Qualquer pessoa pode estar contaminada. Então na duvida sempre pense que o coleguinha do lado pode estar contaminado (risos)”.

Treinar de jeito nenhum

Muitas pessoas ficam aparente e fisicamente bem mesmo quando o vírus é detectado. Com isso, muitas pessoas acreditam que possam ter vida normal, inclusive, continuar o treinamento. Porém, a realidade é outra: “a pessoa com o diagnóstico da doença mesmo que com poucos ou nenhum sintoma não deve fazer atividades físicas, em qualquer intensidade, durante 14 dias. Devendo ficar de repouso e se alimentando adequadamente”.

Já para quem insiste em ir ao box treinar, mesmo sabendo que está com o covid-19, Rodrigo explica que cabe a consciência social da pessoa de não tomar uma atitude que poderá machucar os demais. “Se a pessoa souber ou suspeitar que esteja contaminada ela não deve treinar de maneira alguma em box. Na realidade ela não deve nem sair de casa. Devendo respeitar o período de quarentena de 14 dias. Tanto para o seu bem como dos demais. Ninguém sabe como será o curso da doença”.

Máscaras contra covid-19, sim ou não?

De fato elas são bastante incômodas, porém necessárias. “Há uma norma da OMS que obriga o uso das máscaras em qualquer ambiente fora de casa. Então se a ordem é essa, deve ser cumprida”. Contudo, o médico levanta uma questão que vem sendo duramente batida e trazendo a várias discussões sobre o não uso da máscara em ambientes abertos.

“A questão do treino de máscara gera muito debate, e todo debate de ideias sempre é muito salutar. Há correntes que dizem que se o treino for em campo aberto não haveria a necessidade do uso das máscaras devido a baixíssima chance de transmissão. Já outros dizem que sua ausência geraria um efeito manada induzindo inclusive as pessoas que não estivessem treinando a também não usar. Em relação mais específica aos treinos de CrossFit o uso da mascara é bem desconfortável pela natureza da modalidade. Todavia seu uso deve ser respeitado”.

O “Seu Médico Faz CrossFit!” explica que a máscara deve ser usada, porém algumas medidas podem ser tomadas para “aliviar” um pouco o uso da máscara durante o treino. “É claro que a máscara sairá do rosto durante a atividade, mas é necessário seu uso o maior tempo possível. A ‘tiradinha’ da máscara para dar aquela respirada não é o problema. O problema é já começar o treino com ela no pescoço. Tudo que se puder fazer para diminuir as chances de transmissão deve ser feito”.

Influência negativa

Nossa equipe observou por diversas vezes stories no Instagram onde muitas pessoas treinavam com as máscaras no queixo ou simplesmente sem elas. Vale ressaltar que observamos praticantes e atletas profissionais, influentes e com muitos seguidores. Um fato extremamente preocupante, umas vez que muita gente segue os passos deles.

“Em relação a postagem sem o uso adequado, eu já penso que o problema é de completa falta de empatia. Completamente desnecessário. Demonstrando uma total falta de zelo consigo e com as pessoas próximas. Acho lamentável”, se posiciona o médico. Vale ressaltar que a máxima de que quem tem “histórico de atleta” está imune ao problema já não tem tanto efeito. Dentro do CrossFit temos diversos atletas que comprovam que essa questão não é verdade.

Uma das maiores atletas da atualidade, Gabi Moratti, foi uma das primeiras atletas à vir a público noticiar que foi contaminada pelo vírus. Pouco tempo depois, Nathalia Mencari também contou que testou positivo para a covid-19. Até mesmo o primeiro representante da elite brasileira no CrossFit Games, Pablo Chalfun acabou contaminado pelo vírus e atualmente Vivi Aielo, Matheus Ferro e Vitor Caetano, que parece ter pego pela segunda vez, anunciaram que testaram positivo.

O que os boxes devem fazer?

Os boxes podem e devem ter seus coaches instruídos a pedir para que os alunos levantem sempre suas máscaras caso se deparem com elas baixas. Porém, além disso, existem outras medidas importantes tomadas incialmente na reabertura dos boxes que com o tempo acabou ficando esquecido.

“Além da cobrança e o rigor do uso das máscaras, acredito que a diminuição no número de alunos por aulas, a limpeza frequente dos materiais tanto pelos alunos quanto o pessoal da limpeza, a presença de tapetes higienizantes na entrada e manter portas e janelas abertas para maior circulação de ar são medidas importantes para evitar a propagação do vírus”.

Por isso, cuide do seu box e da sua saúde. Se o workout está pesado para realiza-lo com a máscara no rosto, nesse momento, pense em baixar um pouco a frequencia ou tentar fazer de forma mais leve. Afinal, mais vale baixar os pesos do que ver o vírus continuar crescendo e vitimando mais pessoas. O bem do próximo necessita que todos façam por onde. Use a máscara e tome os cuidados necessários para que todos possam treinar.

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