Canetas Emagrecedoras e o perigo social
Sem sombra de dúvidas, a procura pelo corpo magro, sarado e bonito são os motivos pelos quais muitas pessoas procuram o CrossFit. Alia-se isso as questões de qualidade de vida, como falei em meu último artigo “CrossFit para idosos: veja por que é excelente“. Mas a realidade é uma só, a grande maioria tem o foco maior na procura pelo corpo bonito e não a saúde em si. Neste cenário temos a chegada das famosas “canetas emagrecedoras” que começaram a se tornar algo importante, mas perigoso para a saúde e para a segurança das pessoas.
Antes de mais nada, vale ressaltar que muito distante de ser um artigo de ódio as canetas emagrecedoras, a ideia é mostrar que o consumo desenfreado é perigoso em várias frentes. De maneira simplória, as canetas chegam para inibir a fome de quem as usa, com isso, evitando a alimentação em excesso, como resultado, o emagrecimento. Inicialmente o medicamento Ozempic, acabou caindo no gosto popular. Porém, ser um inibidor de apetite é uma dos efeitos colaterais do medicamento que visa o combate a diabetes Tipo 2. Ou seja, ele não é um medicamento voltado ao emagrecimento, então como resultado do uso dele por pessoas que não possuem a diabetes temos náusea forte, vômito, perda de massa muscular, efeito rebote, além de risco de problemas na vesícula e pâncreas.
Não demorou muito tempo para a indústria farmacêutica anunciar a chegada do mais novo querido dos emagrecimentos, o Mounjaro. Também criado para diabetes, o medicamento é menos agressivo e age em 2 hormônios (GLP-1 + GIP) com efeito mais potente em metabolismo e peso. Enquanto o Ozempic mexe apenas com o GLP-1. Porém, assim como no Ozempic, o uso do Mounjaro vem tomando caminhos perigosos e que necessitam de muitos cuidados. Afinal de contas, são remédios e ajudam no caminho, longe de serem a solução.
Mounjaro como caminho, não solução
É fato que o Mounjaro vem ajudando muitas pessoas no combate a obesidade e conquistando o emagrecimento. Um dos maiores exemplos que temos hoje dentro do CrossFit é o influenciador e comunicólogo, Fábio Broco. O apresentador perdeu 40kg com seu tratamento utilizando o Mounjaro, porém, não foi só a caneta emagrecedora que fez com que ele perde-se os quilos à mais. Broco foi consultado pela nutricionista Giselle Santos e os profissionais da N2 Clínicas em São Paulo. Com isso, ele passou por um processo de mudanças de hábitos com a alimentação e atividade física. Fazendo com que o Mounjaro fosse um elemento desse processo, mas não o motivo principal para o resultado final.
Atualmente o nutricionista e farmacêutico, Silvio Antão, trouxe a público um risco eminente com o uso indiscriminado do Mounjaro. Dentro de sua clínica de emagrecimento, Silvio também faz o uso do medicamento com seus pacientes. Porém, ele explicou em seu último vídeo que uma dosagem baixa, aliada a uma reeducação alimentar é o suficiente para se obter resultados. “Não tem nada haver com dose, tem haver com fome. Se você está fazendo a sua refeição direitinho de três em três horas, conforme combinou com a nutricionista. Mas mesmo assim, entre uma refeição e outra você está sentindo fome, se aumenta a dosagem”. Porém ele afirma que o aumento não precisa ser em doses altas e que as pessoas precisam entrar em uma dieta regrada para o efeito acontecer.
“O problema é que a pessoa passa a manhã inteira sem comer, chega 14h com uma fome imensa e acha que o remédio não está fazendo efeito. Não é isso, você está com fome, porque você não comeu nada. Você precisa comer para o seu organismo não parar. Quando você pula refeições o organismo entende que ele precisa poupar energia e faz você entrar no efeito platô”, pontua Silvio em um momento de seu vídeo.

Falsificação e roubo do Mounjaro
Ainda em seu vídeo, Silvio apresenta um ponto importante e perigoso, para possível falsificação do medicamento. Foram descobertos pela Polícia Civil e Receita Federal um laboratório clandestino com diversos frascos vazios na região do Rio Grande do Sul, indicando que eles poderiam estar passando por um processo de falsificação do Mounjaro. Esse fato traz uma realidade extremamente perigosa, a compra clandestina do medicamento pode ser na realidade um malefício a sua saúde e estar alimentando o crime organizado. Sem fiscalização ideal sobre o produto, os traficantes da caneta emagrecedora vendem um produto ineficaz e que poderá acabar com a saúde do usuário.
Entretanto, outro grande perigo vindo da indústria clandestina na venda do Mounjaro está sendo o roubo do produto nas farmácias. Só em 2025 o prejuízo dentro do Brasil passa da casa dos R$ 20 milhões, devido aos assaltos as farmácias que possuem o medicamento. Só em São Paulo, cidade que possui o maior número de casos, esses valores batem a casa dos R$ 9 milhões. O motivo disso está no consumo clandestino do produto que se transformou na mais nova droga traficada no país. O que acende um alerta preocupante e exige mais seriedade da parte de quem consome esses produtos sem autorização médica. Afinal de contas, o roubo, a falsificação e a venda ilegal só acontecem porque existem clientes pagando por tal. O que torna quem utiliza o medicamento comprado de forma irregular, o culpado e condescendente com que está acontecendo.
Procure um médico e nutricionista
O ideal é de fato ir até uma clínica de emagrecimento ou procurar médicos qualificados para poder cuidar de você. Lembrando sempre que cada caso, é um caso, e o que vale para um, não necessariamente valerá para você. Na hora de comprar o produto, opte sempre pelas farmácias de rede ou de confiança. Atualmente o Mounjaro é um medicamento que custa cerca de R$ 3.000,00.
Então desconfie de valores absurdamente baratos e promoções que deixem o preço extremamente aquém do praticado normalmente. Você poderá estar consumindo produto falsificado ou sem selo de garantia de qualidade. Vale ressaltar mais uma vez que as caneta emagrecedoras não são milagrosas. Mas sim, auxiliam na perda de gordura, então utiliza-las sem uma devida dieta e cuidados médicos poderá fazer com que você apenas gaste pequenas fortunas para não ter nenhum resultado.
