WellHub e Total Pass com os dias contados?
É inegável que as plataformas WellHub e Total Pass revolucionaram e impulsionaram o crescimento fitness com suas chegadas. A possibilidade de pagar uma única mensalidade e poder frequentar diversas academias e fazer diversas atividades surgiu como uma possibilidade interessante para muitas pessoas. Aliás, de início, as plataformas se tornaram uma possibilidade de renda para os donos de academia, principalmente as menores e recém abertas. Uma maneira interessante de atingir novos públicos.
Esse crescimento dos aplicativos foi a tal ponto que muitos boxes se viram em um momento onde 90% de sua renda vinha dos aplicativos. Fazendo com que antes o que seria uma possibilidade à mais, se tornasse o foco principal de receita. Contudo, as regras impostas para o uso do aplicativo caminhavam por dois lados. Enquanto pareciam sedutoras e a cada dia mais proveitosas para os usuários, o mesmo não acontecia para as academias que tinham repasses baixos e a necessidade de uma frequência alta dos usuários do aplicativo para conseguir atingir algum lucro.
Porém, talvez o maior dos conflitos entre os aplicativos e as academias se deu durante a pandemia de 2020. Em meio ao momento trágico vivido, o aplicativo WellHub, na época com o nome Gympass, reduziu ainda mais os valores repassados. Embora muitos ainda tenham continuado e ainda continuam com os aplicativos, o bom relacionamento entre eles começou a dar ruídos. Assim, desde o ano passado muitos boxes passaram a desvincular os serviços das plataformas. A ação inicialmente pareceu algo mais isolado, uma vez que uma a cada 100 academias tomavam essa atitude. Entretanto, com o passar do tempo esse número cresceu e nos últimos meses uma verdadeira debandada passou a tomar força e tirar as plataformas de dentro das academias e boxes. Contudo, a ação mostrou-se necessária para sobrevivência e qualidade de muitos boxes.

Como tirar a WellHub e Total Pass pode significar crescimento
Ouvindo diversos relatos de donos de boxes pela internet que optaram pela retirada do aplicativo, pudemos entender que o cancelamento da plataforma é uma maneira de conseguir alunos que pagam a mensalidade completa, gerando uma maior receita e uma menor dependência do aplicativo. Com isso, conseguindo trazer um maior investimento para os boxes, desde a estrutura até o pagamento e aprimoramento dos profissionais. Não é difícil encontrar estagiários trabalhando e exercendo a função de um profissional dentro dos boxes. Entre os motivos disso, está os valores mais baixos da chamada hora/aula que é paga para um estudante.
Isso naturalmente leva a qualidade do box para baixo, uma vez que os alunos estão na mão de alguém que por mais competente que seja, é de fato um estudante em aprendizado, que deveria auxiliar um profissional e não assumir o lugar dele. Muitos boxes demoram muito para conseguir fazer uma simples manutenção do equipamento por falta de verba. Isso porque, embora o box possa estar cheio todos os dias, os valores recebidos são sempre aquém do esperado, uma vez que o repasse por aluno é baixo. A medida também pode ser uma maneira de tentar voltar ao senso de comunidade do CrossFit, onde os alunos que treinam apenas naquele box, acabam criando vínculos mais próximos com o dia a dia e trazendo um maior cuidado ao local.
Entretanto, tomar a medida é extremamente arriscada para locais que possuem a maior parte de sua renda vinda dos aplicativos. Uma vez que haverá um queda natural de receita nos primeiros meses após a desvinculação do empreendimento. Porém, segundo alguns desses profissionais, a retomada financeira vem na sequência e pode ser ainda maior. Uma vez que o local passa a lucrar valores completos.

Como sobreviver a mudança?
Neste cenário, uma das possibilidades de sobreviver ao momento de mudança e saída dos aplicativos, pode ser a conscientização dos alunos. Muitos preferem usar o aplicativo, mas são alunos fieis ao box. Não treinam em outros locais e frequentam todos os dias os treinos. Então um trabalho de conscientização a esses alunos sobre a importância de trocar o aplicativo para a matrícula real ao empreendimento, pode ser uma ótima saída.
Outro ponto importante é a conscientização sobre o treinamento. Ainda mais quando falamos de CrossFit, o treinamento não é pensando de maneira isolada, mas sim dentro de um planejamento. Com isso, para ter de fato um resultado, não adianta o aluno treinar um dia em cada box, o ideal é que ele siga o treinamento em um CT único para tirar o maior proveito. Esse pode ser um ponto a ser levantado junto aos alunos, para que assim traga uma conscientização melhor sobre o treino em vários locais e o uso do app. Vale ressaltar que muitas vezes, basta uma comunicação bem feita para conseguir resultados interessantes com os alunos. Muitas vezes, pelos aplicativos trazerem de fato muitos benefícios ao usuário, é mais difícil que eles consigam vislumbrar positividade em sair do aplicativo para se matricular em apenas um local.
Com isso, vale o alerta, para aqueles que decidirem sair de vez dos aplicativos, tomarem cuidado para que saída não signifique o fim do box. Vale pensar nas possibilidades e conversar com os alunos, para entender as possibilidades e se uma saída do aplicativo irá ser de fato algo realmente positivo. Ainda há a possibilidade de trazer benefícios para os alunos, como isenção de matrículas, descontos na mensalidade e etc. Mas uma coisa é fato, a debandada dos aplicativos parece ser algo que veio com força e pra ficar.
