É possível ter exame antidoping nos eventos brasileiros?

Uma das grandes dúvidas debatidas na internet é: Realmente é possível fazer teste de doping nas competições no Brasil? De fato falar de doping é sempre polêmico, não importa qual o caminho, se fale de doping é sempre um assunto delicado. Mas a notícia de que atletas Masters das Semifinais presenciais do CrossFit Games não estão sendo testados gerou um burburinho na internet. Soma-se a isso a chegada das Seletivas TCB e o fato do evento não testar os atletas para poderem competir.

Todos os anos, são milhares de reclamações que vejo na internet sobre o fato da organização do TCB não ter o exame de doping aos competidores. Aliás, o TCB só encabeça o número de ataques a isso, mas a verdade é que muitos eventos recebem essa reclamação. Pensando nisso, estudamos e analisamos as realidades sobre o assunto. Como primeiro ponto e para desmistificar o que vem acontecendo nas semifinais, a verdade é muito simples. Essa é a primeira vez que estão acontecendo as semifinais presenciais para as categorias Masters. Até então toda a parte de classificação da competição acontecia de maneira online, ou seja, não eram testados os atletas também.

O que temos agora é a mesma continuidade dos demais anos. Mas com a possibilidade de vermos presencialmente os atletas competindo. Muito longe do que muitos disseram nas redes sobre a CrossFit estar falhando no caso e que o jogo passa a ser injusto, uma vez que já tivemos inúmeros atletas Masters sendo pegos no exame. O CrossFit Games deverá manter o exame antidoping das finais. Porém, nas seletivas a única mudança é realmente a possibilidade do presencial.

A realidade do exame antidoping

Uma questão desse caso se conecta diretamente ao Brasil: o custo do exame. A World Anti-Doping Agency (WADA), órgão oficial responsável pelos testes em esportes como NFL, NBA, UFC e CrossFit Games, realiza e valida os exames. Pelo que estudamos, os custos variam de R$ 2.000,00 a R$ 6.000,00 por pessoa. Em uma realidade com 20 atletas, testar todos custaria entre R$ 40.000,00 e R$ 120.000,00. Se incluirmos os times nessa conta, o valor aumentará ainda mais.

Os valores fogem da realidade dos eventos, inclusive do TCB, que já arca com inúmeros custos, tanto na seletiva quanto nas finais. Soma-se a isso a dificuldade atual do esporte em atrair patrocinadores. Em um cenário como o do TCB, que possui diversas categorias, mesmo reduzindo os testes aos cinco primeiros colocados de cada uma, o custo já se tornaria exorbitante. Se o evento precisasse absorver essas despesas, haveria um aumento significativo nas inscrições, que já são consideradas altas. Como consequência, ocorreria uma redução natural no número de inscritos incapazes de arcar com os custos. Isso poderia até inviabilizar categorias como o teens feminino, que já enfrenta baixa demanda.

Pela mesma lógica, os valores dos stands provavelmente também aumentariam, o que poderia levar muitos a abandonarem o TCB. A transmissão ao vivo, financiada pela competição e por patrocinadores, também correria risco, já que seu alto custo poderia ser redirecionado para os exames. Por fim, até a premiação da competição poderia sofrer impacto. Em outras palavras, o exame poderia enfraquecer gradualmente a competição.

Um adendo

Vale ressaltar que estou usando o TCB como exemplo. Mas isso se encaixaria para qualquer outra competição de grande porte no Brasil, do tamanho ou que se assemelhe a grandeza do TCB. Contudo, levantando essas questões, até simples, podemos entender que hoje, para o cenário atual do nosso esporte, ter exames antidoping acontecendo oficialmente nas competições ainda é inviável. Mas talvez para um futuro com mais patrocinadores, valores mais acessíveis e o esporte ainda mais consolidado, a realidade do exame não seja tão distante.

Mas realmente se analisarmos financeiramente para os eventos grandes como Copa Sur e TCB ter exames com todos os atletas já é algo inconcebível, o que dirá de eventos de menor porte. Realmente seria inviável. Vale ressaltar que o Copa Sur possui de fato o exame antidoping para os primeiros colocados. Entramos em contato com a organização da competição para entender se esses valores eram custeados pela competição ou pelo CrossFit Games. Contudo a organização foi solicita a nós, mas explicou que há uma regra de sigilo interno da CrossFit para esse assunto. Assim sendo, não temos uma resposta sobre.

Veja nossa reportagem em vídeo

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