Atleta Mario Torruco morre em Aruba

Uma notícia triste para quem acompanhou a trajetória do Mundial do Funcional Fitness. Ao longo das últimas semanas, mostramos que o Brasil registrou um número recorde de participantes na competição e conquistou seis pódios. No entanto, na manhã da última quinta-feira (29), a organização confirmou a morte de um dos competidores após um ataque cardíaco durante o evento. O caso aconteceu na categoria 30-34. O atleta mexicano Mario Torruco sofreu o ataque ainda no primeiro dia de competição, durante a Endurance Test, primeira prova do programa da iF3.

A disputa aconteceu ao ar livre, nas ruínas da antiga mina de ouro de Bushiribana, no litoral do Mar do Caribe. O local registrou temperaturas extremamente elevadas. Segundo relatos de atletas ao site americano The Barbell Spin, os termômetros chegaram aos 40°C, principalmente durante a bateria da categoria 30-34.

Torruco passou mal durante a prova e caiu desacordado a aproximadamente 500 metros da linha de chegada. Outros competidores interromperam a disputa para prestar os primeiros socorros. Entretanto, os relatos indicam que a situação só chamou a atenção dos responsáveis pelo atendimento quando os atletas começaram a se aproximar da chegada.

Um homem que conduzia um buggy também parou ao perceber o ocorrido e ajudou no socorro ao mexicano.

Após receber os primeiros atendimentos, Torruco seguiu para o Hospital Horacio Oduber. Na unidade, os médicos também identificaram complicações graves no fígado e nos rins. Desde então, o atleta permaneceu internado. Sua namorada relatou que ele não recebeu assistência da equipe médica da iF3 durante o incidente.

iF3 se posiciona sobre o caso

Após a repercussão da morte, a F3Aruba e a iF3 divulgaram uma nota oficial para lamentar a perda do atleta e apresentar sua versão dos acontecimentos.

Segundo as entidades, Mario foi internado em um hospital de Aruba na sexta-feira, 23 de outubro, e recebeu alta no sábado, dia 24. Posteriormente, retornou à unidade hospitalar na segunda-feira, 26, antes de falecer na noite de quarta-feira, dia 28.

A organização afirmou que não possui acesso aos prontuários médicos do atleta e, por isso, considera inadequado especular sobre os diagnósticos ou os tratamentos que ele recebeu no hospital.

Da mesma forma, as entidades disseram que não podem comentar o período entre a alta médica, no sábado, e o retorno ao hospital, na segunda-feira. Além disso, pediram respeito à privacidade da família e evitaram apresentar conclusões sobre informações às quais não tiveram acesso direto.

Organização afirma que havia atendimento médico durante a prova

Em outro trecho do comunicado, a F3Aruba e a iF3 contestaram as informações de que os atletas não contavam com assistência médica durante a Endurance Test.

Segundo a organização, profissionais de emergência médica (EMTs) acompanharam toda a prova de corrida. A equipe utilizou um veículo para percorrer o trajeto e chegar rapidamente aos atletas que precisassem de atendimento.

Além disso, a estrutura incluía um trailer climatizado na região de largada e chegada, onde os profissionais poderiam realizar procedimentos médicos. Os responsáveis também disponibilizaram equipamentos de primeiros socorros e recursos mais avançados, como hidratação intravenosa, para atender aos competidores.

Estrutura de atendimento e esclarecimento sobre o caso

A organização também detalhou a estrutura montada para a prova. Segundo o comunicado, o evento contou com tendas na largada e na chegada, além de pontos de distribuição de água nos dois extremos do percurso de 2 km.

Uma equipe médica adicional permaneceu aproximadamente na marca de 1 km para observar a passagem dos atletas e prestar assistência quando necessário.

A programação também levou em consideração as condições climáticas. Por isso, a organização agendou a prova para o início da manhã, com as primeiras baterias às 7h e a última largada prevista para até as 10h30, buscando reduzir a exposição dos competidores ao calor excessivo.

A F3Aruba e a iF3 reforçaram que os profissionais de emergência presentes no evento atenderam Mario antes de encaminhá-lo ao hospital. Dessa forma, as entidades classificaram como falsas as informações de que não havia equipe médica no local ou de que o atleta não recebeu atendimento durante a ocorrência.

Ao final, a organização voltou a manifestar solidariedade à família de Torruco.

Vaquinha busca arrecadar dinheiro para transportar o corpo

Inicialmente, a namorada de Mario Torruco criou uma campanha de arrecadação online para ajudar a custear a internação do atleta. Após a morte do mexicano, porém, a família passou a direcionar os recursos para o transporte do corpo até seu país de origem.

A campanha foi criada na plataforma GoFundMe e estabeleceu uma meta de US$ 30 mil. Até o momento da publicação desta reportagem, a arrecadação havia recebido US$ 5.860, distribuídos entre 98 doações.

Nas redes sociais, pessoas próximas ao atleta e integrantes da comunidade do Funcional Fitness também mobilizam uma campanha para ampliar a divulgação e conseguir novas contribuições.

Até o momento, não há informações sobre uma possível ajuda financeira da organização do Mundial para auxiliar a namorada de Torruco no traslado do corpo.

Por fim, atletas que competiram na mesma categoria do mexicano relataram que não receberam novas informações sobre o estado de saúde de Mario após o incidente. A morte do competidor encerra de forma trágica a participação mexicana no Mundial e levanta questionamentos sobre a comunicação e os procedimentos de atendimento durante a competição.

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