Mirjam Von Rohr: “me sinto muito melhor hoje”
Mirjam Von Rohr é um dos principais nomes da atualidade do mundo da elite. A atleta sueca é vista como uma possível vencedora do CrossFit Games 2026, ainda mais sem a presença de Tia Clair Toomey que esse ano, deixando realmente o pódio livre. Mirjam teve uma ótima aparição na edição do Games do ano passado em sua estreia na competição. Aliás, uma ótima estreia onde finalizou a competição na 7ª colocação.
Aliás, Mirjam tem em seu currículo duas vitórias importantes no Open de 2024 e 2025. Esse ano ela surpreendeu o mundo no primeiro workout do Open 26.1 sendo o melhor tempo inclusive entre os homens. Ela conseguiu finalizar na 2ª colocação geral. Agora a atleta que ficou na 7ª colocação das Quartas de Final se prepara para última etapa para a vaga do Games. Enquanto isso, ele topou dar uma entrevista ao nosso parceiro do site, Léo Marchioli. Confira como foi esse papo:
Esse ano o seu maior destaque, até o momento, foi a sua performance durante o Open 26.1, onde você atingiu o recorde da prova em uma estratégia onde você não parou em momento algum. Podemos destacar a estratégia como um ponte forte em você?
Sim, a estratégia é uma das minhas maiores qualidades, porque eu treino em aulas de CrossFit. Nunca tive um programa individual, mas eu gosto disso. O meu papel no treino é, todos os dias, ter uma boa percepção do meu corpo para entender o que consigo fazer e como posso melhorar.
Você está dizendo que não tem um programa de treino individualizado?
Sim, eu mesma escrevo o meu programa de treino. Tenho um fisioterapeuta que estudou muito e entende uma quantidade incrível de coisas. Eu peço conselhos a ele com frequência, e ele me dá muitas dicas sobre o planejamento do treino. Fora isso, faço tudo sozinha. Também participo das aulas regulares de CrossFit e praticamente não faço treinos adicionais por conta própria.
O meu foco é construir uma base sólida: resistência, força e, além disso, trabalho o levantamento de peso junto com as aulas de CrossFit. Para as minhas fraquezas, como ring muscle-ups sob pré-fadiga, eu treino especificamente com intervalos para preparar os grupos musculares relevantes e melhorar esses pontos fracos. Treinar as fraquezas faz parte do processo.
Mas como você faz para manter um treinamento de qualidade? Uma vez que, os treinos dentro das aulas são de fato workouts mais simples e menos intensos como os encontrados nos atletas da elite?
Acredito que não se trata tanto de quais treinos você faz, mas de como você os faz. Eu sempre me desafio nas aulas de CrossFit, e elas continuam sendo extremamente difíceis, especialmente ao levantar pesos mais altos ou fazer mais repetições. Muitas vezes, o meu objetivo é levantar mais peso do que os homens, o que é um grande desafio. E eles também me pressionam, porque não querem que eu seja mais forte do que eles.

Em algum momento você pensou em seguir um programa de treinamento?
No passado, tentei me pressionar a seguir um programa individual de um treinador. Mas rapidamente percebi que não gostava disso e me sentia desconfortável. Eu achava que precisava fazer isso, caso contrário nunca chegaria aos Games. Quando realmente consegui me classificar para os Games, sem coaching, foi como tirar um enorme peso das minhas costas, e ganhei tanta autoconfiança que, desde então, tudo tem corrido muito melhor. Agora eu aproveito muito mais, consigo viver a minha paixão e trabalhar intensamente no planejamento do treino — tudo isso gerenciando da forma que eu quero.
Na temporada passada você esteve acompanhada de uma pessoa durante o CrossFit Games, não era seu treinador?
Na temporada passada, parecia que eu tinha um treinador. Ele queria me treinar, mas eu fiz todo o trabalho sozinha. Isso ainda traz muitos sentimentos negativos, como decepção, raiva, frustração e uma sensação de ter sido explorada. Por isso, não quero entrar em muitos detalhes. Em certo momento, senti que fui explorada, porque ele usou os meus resultados para a empresa dele, sem saber por que eu era tão boa. Ele não tinha ideia do que eu treinava ou de como eu conseguia fazer back squat com 165 kg.
Ele me ofereceu coaching, e eu disse não, mas mesmo assim ele esteve presente em todas as grandes competições; fora isso, quase não nos víamos. Eu não me deixei ser treinada porque não queria. Ele me ajudou muito na organização dos eventos, mas isso é trabalho de gestão, não de alguém que quer se chamar de treinador. Muitas coisas não aconteceram como deveriam, e eu ainda estou profundamente afetada emocionalmente. É difícil esquecer tudo isso, e eu me pergunto como não percebi isso por tanto tempo.
Essa experiência negativa foi o que te fez começar seguir a carreira sozinha?
É por isso que agora eu faço tudo sozinha. Mentalmente, me sinto muito melhor hoje do que na temporada passada, porque no meu box de CrossFit eu tenho as pessoas certas ao meu lado — não um estranho que só aparece nas competições para fazer posts nas redes sociais. Hoje eu tenho um ambiente melhor e a liberdade que eu quero. E isso é o mais importante: estar feliz e satisfeita — e então o sucesso vem como consequência.
