Debbie O’Connell, campeã adaptada do Games pode ser presa
A campeã dos CrossFit Games Adaptados de 2025, Debbie O’Connell, enfrenta atualmente uma situação que pode mudar completamente sua trajetória. A atleta, que venceu a categoria 1 Ponto – Deficiência no Membro Superior (Feminino) na última temporada. Pode pegar até dois anos de prisão após ser acusada de mentir sobre a gravidade de sua deficiência em um processo judicial no Reino Unido.
Em 2015, O’Connell sofreu uma queda de cavalo durante um treinamento com a unidade cerimonial da King’s Troop Royal Horse Artillery, parte do Exército Britânico. No acidente a atleta fratura a clavícula. Então, segundo ela, a lesão deixou seu braço esquerdo praticamente inutilizável. Após deixar as forças armadas, O’Connell passou a competir em esportes adaptados. Entre os principais resultados está a medalha de ouro no ciclismo nos Invictus Games de 2018. Além de participações em diferentes modalidades do esporte adaptado. Ainda em 2018, a atleta entrou com uma ação judicial contra o Ministry of Defence do Reino Unido pedindo uma indenização de 2,4 milhões de libras. Porém, o valor posteriormente foi reduzido para 1,74 milhão de libras.
Mas o caso acabou arquivado após o tribunal apontar o que chamou de “desonestidade fundamental”. A disputa judicial seguiu por anos. Em 9 de setembro de 2025, durante uma nova decisão no High Court of Justice, o juiz Christopher Kennedy afirmou que o relato de O’Connell sobre dores constantes e limitações severas não correspondia às evidências apresentadas. Vídeos gravados em 2022 mostravam a atleta realizando atividades cotidianas, como cortar alimentos e conduzir um cavalo, com função considerada normal ou quase normal do braço esquerdo. Diante disso, o juiz concluiu que o testemunho dela sobre os sintomas era desonesto. Como consequência, O’Connell foi condenada a pagar cerca de 200 mil libras, além dos custos judiciais.

Debbie O’Connell no CrossFit Games
Enquanto o processo seguia na Justiça, a atleta continuou competindo. Então em 2024 ela terminou em segundo lugar nos CrossFit Games Adaptado. Já em 2025 conquistou o título da mesma categoria. Entretanto, a decisão judicial de setembro daquele ano aconteceu apenas três dias antes do início da competição realizada em Las Vegas. Agora o caso ganhou um novo capítulo. Na semana retrasada, advogados do Ministério da Defesa pediram ao tribunal a abertura de um processo por desacato. O motivo seria a existência de interesse público em responsabilizar O’Connell pelas declarações consideradas falsas.
Caso seja condenada, a atleta pode enfrentar até dois anos de prisão. A defesa argumenta que ela já sofreu consequências significativas ao perder o processo e ter de pagar altos custos legais. Mas o juiz decidiu que o caso deve seguir adiante. Com isso, uma audiência ainda será marcada para determinar se houve, de fato, desacato ao tribunal. Dentro do universo do CrossFit adaptado, o caso também levanta questionamentos. Porém, a organização WheelWOD, responsável pelos CrossFit Games Adaptado possui um processo de classificação para garantir que cada atleta esteja competindo na divisão correta. O sistema envolve envio de documentação médica, vídeos de testes e verificação presencial durante as competições. As regras também exigem que todos os competidores cumpram os critérios de elegibilidade relacionados à sua classificação funcional.
Além disso, o regulamento prevê investigações em casos de possíveis violações ou práticas consideradas injustas. Até o momento, não há confirmação de que adversários ou membros da comunidade tenham aberto uma investigação formal sobre o caso dentro do esporte. Mesmo assim, a situação cria um cenário delicado para a atleta e para a modalidade adaptada.
