XENOM é nova incógnita dos eventos

A XENOM chegou ao cenário do CrossFit cercada de expectativa. No entanto, também levanta questionamentos relevantes. Isso porque a proposta não tenta apenas inovar. Na prática, ela confronta um dos pilares do esporte. Criada por Keith Barlow, a competição foi lançada em fevereiro de 2026. Desde então, divide opiniões. Por um lado, existe curiosidade. Por outro, cresce a desconfiança. E isso acontece por um motivo claro.

A XENOM aposta em algo que o CrossFit nunca priorizou: previsibilidade. Antes mesmo do lançamento, Barlow já enfrentava críticas. Muitos questionavam a necessidade do projeto. Afinal, o CrossFit sempre se construiu sobre o desconhecido e o variado. Ainda assim, ele seguiu com a ideia. “Pode ser a aposta contrária do século”, afirmou Barlow em entrevista ao site americano Morning Chalk Up. A frase chama atenção. Porém, também expõe o risco. Afinal, apostar contra a essência de um esporte consolidado não costuma ser simples.

Formato repetível aproxima XENOM de modelo já existente

A princípio, a estrutura da XENOM parece familiar. São dois dias de competição e 10 eventos. Contudo, o detalhe central muda completamente a lógica. As provas são sempre as mesmas. Ou seja, a XENOM abandona a imprevisibilidade. Em vez disso, adota um modelo fixo. Com isso, permite comparar desempenho ao longo do tempo. Por um lado, isso facilita a mensuração de evolução. Por outro, reduz um dos principais atrativos do CrossFit.

Esse formato se aproxima diretamente do HYROX. E isso não é coincidência. Barlow teve participação no crescimento da modalidade. Portanto, traz essa influência para o novo projeto. No entanto, essa comparação levanta outra questão. Se o modelo já existe e funciona no HYROX, até que ponto faz sentido replicá-lo dentro do CrossFit? Além disso, surge um possível conflito. O CrossFit sempre valorizou a capacidade de adaptação. Já a XENOM prioriza repetição. Assim, as propostas caminham em direções diferentes.

Afinal de contas, uma vez previsível e sem mudanças, perde-se a ideia da capacitação completa e se transforma em capacitação direcionada para o esporte. Um risco dentro da marca que pode estar abraçando a ideia do Atleta Marginal, termo encontrado na apostila de treinadores de nível 1, que vai completamente de encontro com a ideia da CrossFit de criar atletas prontos para qualquer situação.

Proposta mira atleta comum, mas levanta dúvidas

Barlow defende que a XENOM preenche uma lacuna. Segundo ele, muitos praticantes treinam diariamente. Porém, não encontram competições adequadas ao seu nível. Ainda assim, a solução proposta não é unanimidade. Ao criar um padrão fixo, a XENOM facilita o acesso. Além disso, permite que mais pessoas participem. No entanto, também simplifica a complexidade do CrossFit. E isso pode afastar parte da comunidade.

Por outro lado, o modelo da HYROX já mostrou que existe público para esse tipo de competição. Portanto, existe espaço no mercado. A dúvida é se esse espaço realmente pertence ao CrossFit. No Brasil a comunidade do CrossFit abraçou o HYROX e hoje vemos muitos ex-CrossFit se aventurando e se transformando em atleta do HYROX. Contudo, ao redor do mundo, temos um número muito superior de corredores acessando o HYROX e menos de CrossFit. Contudo, a proposta do XENOM é interessante para aqueles atletas que não querem competir o HYROX por conta das provas, mas acha interessante a ideia da previsibilidade dos workouts. Aliás, embora seja um evento licenciado da marca, o XENOM pode se transformar em mais um esporte distinto ao CrossFit e ao HYROX.

Outro ponto importante envolve a experiência. A promessa é entregar algo próximo ao nível dos CrossFit Games. Porém, sem a imprevisibilidade, essa comparação pode perder força. Assim, a proposta se torna interessante. Mas, ao mesmo tempo, questionável.

Crescimento rápido não garante consolidação no longo prazo

A XENOM também chama atenção pela velocidade. Em apenas nove meses, levantou US$ 15 milhões. Além disso, firmou parceria com a Rogue Fitness. Os investimentos contam com nomes relevantes. Entre eles, Jeffrey Katzenberg e Sujay Jaswa. Ou seja, o projeto nasce bem estruturado. Além disso, o calendário já está definido. Dallas abre a temporada em junho. Em seguida, Londres, Miami e Paris entram na rota. A meta inclui 11 eventos no primeiro ano e 60 até o quinto.

Por enquanto, os números iniciais animam. A marca saiu de 100 para 12 mil seguidores em um mês. Ao mesmo tempo, milhares demonstraram interesse no primeiro evento. Ainda assim, esses dados representam apenas o início. Crescimento rápido gera expectativa. Porém, não garante sustentabilidade. Para que isso se consolide, o evento terá que entregar o que fala. Há também um ponto, pelo menos no Brasil, o World Fitness Project que apareceu em um momento de crise na CrossFit e por muitos foi visto como o substituto da marca, parece não vingar. O engajamento do WFP não é alto aqui, embora pareça correr bem em alguns aspectos no mundo a fora.

No fim, a XENOM propõe uma mudança relevante. Mas é díficil ter uma leitura tão assertiva uma vez que o cenário traz uma consolidação do CrossFit Games, embora os números já tenham sido melhores, a competição segue como a principal. Temos um crescimento intenso do HYROX e uma baixa de engajamento do WFP. Talvez só após a realização da competição poderemos dizer se o evento “hypou” ou “flopou”.

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