Respeitar o Judge é obrigação da comunidade
Ser judge dentro dos eventos de Cross pelo Brasil é o sonho e meta de muitos estudantes e profissionais de educação física. Além de alguns amantes do esporte. Hoje além do curso de árbitro da CrossFit, necessário para arbitrar eventos da marca, existem diversos cursos para os que desejam realizar uma das posições mais difíceis dentro de um evento. Afinal de contas, nas mãos desses árbitros está não apenas uma pontuação, mas o sonho e o trabalho dos atletas dentro da arena. Porém, vale ressaltar que para muitos desses judges, estar na arena nem sempre é remunerado. E pode ser apenas uma maneira de ajudar a comunidade que ama estar em eventos.
Porém, estar arbitrando exige um trabalho mental imenso. Desde a internalização de cada workout até os padrões de movimentos exigidos na competição. Além da cabeça fria de receber os ataques diretos e indiretos dos atletas e da arquibancada. Sim, infelizmente, ainda existem muitos ataques aos judges vindo de atletas e de seus amigos e familiares. No último final de semana tivemos mais um relato público por parte da atleta e criadora do Maraca Games, Índia Armelau, em um evento da marca realizado em um box no Rio de Janeiro. Uma judge recebeu ataques pesados por parte do público presente, enquanto avaliava uma dupla. Os atletas em questão acabaram sendo desclassificados. Mas as marcas do ataque verbal a judge não se apagam assim.
É uma pena vermos que o esporte que já está entre nós à mais de 10 anos tenha evoluído tanto em tantas frentes. Mas continua no retrocesso quando o assunto bate nas pessoas. Vale ressaltar que boa parte dos judges são também profissionais de Educação Física e muitos empenham brilhantes papéis como coaches dentro de suas comunidades. Como é exatamente o caso da judge atacada.

Respeito necessário aos judges
Dentro desse cenário, é triste ver que muitas pessoas insistem em deixar o calor da emoção falar mais alto. Existem diversas maneiras de entrar com recurso para corrigir possíveis erros da arbitragem, o mais comum é a gravação de vídeo. Em um esporte onde o Qualifier Online está sempre presente nas principais competições, vale a pena lançar mão desse recurso. Como no caso do Maraca Games, que Índia pontua que basta ter o vídeo de todo o workout feito para que a equipe de arbitragem avalie. Porém, isso vai além do piso preto da competição, esse é um dos momentos que coloca a ideia de comunidade em cheque.
Afinal de contas, estamos falando de um evento de pequeno porte, dentro de um box. Não está em jogo a vida ou a profissão de ninguém. A ideia de uma competição nesse estilo é se desafiar e aproveitar o final de semana fazendo algo que se ama. Gritar injurias e ofensas por conta de um workout vai muito além disso. Aliás, isso não caberia nem em uma edição clássica do Maraca Games com sua estrutura imensa. Talvez seja o momento real das pessoas começarem a voltar para os seus boxes pensando em trazer novamente o primeiro passo da metodologia, a ideia de comunidade.
Vale pontuar que a ideia de “a comunidade acabou”, é uma visão míope e nostálgica dos mais antigos. A metodologia e sua comunidade continuam existindo dentro dos boxes. Mas quando nos deparamos com situações como essas, além de trazer um questionamento, acende um alerta necessário para a evolução da metodologia, do esporte e da comunidade.
