Família de Mario Torruco ataca Federação após sua morte

Ao que tudo demonstra, o caso da morte de Mario Torruco está longe de um fim. Afinal de contas, a família de Mario Torruco publicou um comunicado cobrando explicações da Federação Internacional de Functional Fitness (iF3), da Federação de Aruba, da organização do evento e da Federação Mexicana. Porém, o documento questiona as condições de segurança e o atendimento médico oferecidos durante a competição que terminou com a morte do atleta. Segundo relatos de testemunhas apresentados pela família, o evento contava com poucos profissionais médicos e membros da organização.

Além disso, a equipe médica também não estaria preparada para uma emergência grave provocada pelo calor. Entretando ainda afirma-se que a resposta demorou e que a ambulância levou muito tempo para chegar. Então, nesse intervalo, outros atletas precisaram prestar os primeiros socorros. Mas o comunicado também critica a postura da Federação Mexicana. Uma vez que a família afirma que seus representantes priorizaram o retorno à competição em vez de permanecerem ao lado do atleta. Enquanto isso, familiares viajaram mais de 12 horas para acompanhá-lo. Então, diante do ocorrido, a família cobra da iF3 uma fiscalização mais rigorosa sobre os eventos que recebem sua chancela. Entre as exigências, estão a obrigatoriedade de seguro médico para todos os competidores, a definição de responsáveis pelo atendimento de emergência e a adoção de protocolos mínimos de segurança.

Então, os familiares pedem esclarecimentos sobre as medidas preventivas utilizadas na competição, a confirmação das exigências feitas à organização e uma investigação formal para identificar responsabilidades. Por fim, a família afirma que não permitirá que a morte de Mario caia no esquecimento. O objetivo é obter respostas e provocar mudanças nos protocolos de segurança do Functional Fitness internacional. Porém, ficou muito claro que a família não aceitou as colocações rasas das partes oficiais.

Veja a tradução do texto da família de Mario Torruco

Comunicado à Federação Internacional de Functional Fitness, Federação de Functional Fitness de Aruba, equipe organizadora, Federação Mexicana de Functional Fitness e demais envolvidos

Antes de tudo, queremos agradecer, como família, a todos os atletas que ajudaram Mario e prestaram assistência médica quando ele mais precisava. Sabemos que vocês estavam ali como atletas, e não como profissionais da medicina. Entretanto, graças a vocês, Mario teve uma oportunidade de lutar pela vida. Nossa família será eternamente grata por terem colocado a vida dele em primeiro lugar, acima de uma competição que não vale nada diante de uma vida humana.

À Federação Internacional de Functional Fitness: como autoridade máxima deste esporte, cabe a vocês garantir que todos os eventos que recebem sua chancela cumpram as medidas médicas e de segurança necessárias. Isso inclui profissionais médicos capacitados no local, protocolos e equipamentos de emergência, além de qualquer outra medida que garanta a segurança e o bem-estar de todos os participantes.

Também cabe a vocês confirmar que cada atleta tenha seguro ao realizar sua inscrição. Atualmente, o regulamento deixa essa responsabilidade nas mãos de cada federação nacional, sem que ninguém faça a devida verificação. Isso não é suficiente.

Pedimos que exijam de cada atleta um comprovante de seguro válido antes da competição e que tornem esses requisitos médicos e de segurança condições obrigatórias em todos os acordos com as sedes dos eventos. Dessa forma, nenhuma competição poderá receber autorização sem cumprir essas exigências.

Essas regras precisam ser claras, públicas e aplicadas em todos os eventos. Além disso, a Federação deve assumir a responsabilidade quando elas não forem cumpridas. Os atletas confiam que um evento que leva o nome de vocês seja um evento seguro. Essa confiança precisa ser respeitada com atitudes, e não deixada à própria sorte.

À Federação de Functional Fitness de Aruba e à equipe organizadora

Mario confiou na organização de vocês. Confiou nas condições oferecidas pelo evento e acreditou que sua vida estaria protegida. Hoje, porém, ele não está mais entre nós.

Nada poderá trazê-lo de volta. Entretanto, isso não significa que ficaremos em silêncio ou permitiremos que o ocorrido seja esquecido.

Como organizadores, vocês têm uma responsabilidade com cada atleta que participa de seus eventos. Não basta promover uma competição, reunir atletas e vender uma experiência. O atendimento médico e a segurança não são meras formalidades. São o mínimo que vocês devem oferecer àqueles que depositam sua confiança em vocês.

Tudo começa pela verificação de que os atletas possuem seguro médico. No entanto, pelas atitudes de vocês, podemos presumir que consideraram suficiente permitir que os atletas simplesmente se inscrevessem e pagassem para competir.

Até o momento, sabemos, por meio de testemunhas, que havia poucos profissionais da organização e da equipe médica; que não existiam materiais de primeiros socorros nem meios adequados de resfriamento; que a equipe médica não estava preparada para uma emergência grave causada pelo calor; que a resposta foi excessivamente lenta e a ambulância demorou ainda mais para chegar; e que foram os próprios atletas, logo após terminarem suas provas, que precisaram assumir a responsabilidade pelos primeiros socorros.

Não aceitaremos respostas evasivas, indiferença ou tentativas de se isentar da responsabilidade pelo ocorrido antes que os fatos sejam devidamente esclarecidos.

À Federação Mexicana de Functional Fitness e demais envolvidos

Mario partiu levando consigo o sonho de representar o México e nossa família, que sempre lhe ofereceu amor e apoio incondicional. De acordo com o regulamento da iF3, cada federação é responsável por fornecer um seguro ao atleta. Além disso, ao permitir sua participação na competição, a federação garante que ele possui cobertura em caso de emergência.

Entretanto, essa questão vai muito além das regras. Trata-se da incapacidade de vocês de demonstrar empatia por Mario e por nós, sua família. Afinal, para vocês, parecia mais importante retornar a uma competição do que permanecer ao lado dele e apoiá-lo, enquanto nós enfrentávamos uma viagem de mais de 12 horas para chegar até Mario. Ao contrário de vocês e contrariando a recomendação que recebemos, nós o acompanhamos desde o início até o fim.

Gostaríamos de saber se, em algum momento, vocês ao menos consideraram visitá-lo ou conversar com nossa família para oferecer apoio. Ou, pelo menos, informar que estavam acompanhando sua situação. Ou será que só agiram quando perceberam que começaram os questionamentos e esperavam esconder o sol com uma peneira? Esperamos que a competição tenha valido a pena e que isso ajude vocês a superar aquilo que não fizeram por Mario.

Nada trará Mario de volta. Entretanto, não permitiremos que sua morte seja tratada como um incidente lamentável que todos esquecem.

Não vamos nos calar. Exigimos respostas, responsabilidades e ações concretas. A Federação Internacional de Functional Fitness, a Federação de Aruba, os organizadores e a Federação Mexicana precisam explicar quais protocolos, atendimentos médicos e medidas de segurança estavam disponíveis e por que foram insuficientes. Nenhum atleta deveria passar por uma situação como essa durante uma competição por falta de protocolos, atendimento médico ou medidas de segurança.

Os atletas colocam suas vidas nas mãos dos organizadores e das instituições que governam o esporte. Essa confiança não é um slogan publicitário. É uma obrigação, e ela não foi cumprida. Mario tinha sonhos, objetivos e toda uma vida pela frente. Sua vida merecia toda a proteção possível. O silêncio, as respostas evasivas ou as tentativas de se isentar da responsabilidade pelo ocorrido serão tratados como uma resposta, e tornaremos isso público. Erguemos nossa voz por Mario, por toda a nossa família e por cada atleta que sai de casa para competir confiando que voltará em segurança. Sua morte não será esquecida. Ela será o motivo pelo qual exigiremos mudanças.

Solicitamos formalmente à Federação Internacional as seguintes medidas:

1. Que exija de todos os atletas um seguro de despesas médicas de grande porte válido antes, durante e depois da competição (próprio ou fornecido pela organização) e que verifique sua existência, em vez de aceitar apenas uma simples declaração.

2. Que estabeleça em seus regulamentos quem é responsável pela segurança médica em cada competição, incluindo primeiros socorros, ambulâncias, transporte, equipe médica e equipamentos de emergência. Além disso, que determine requisitos mínimos obrigatórios de acordo com o número de atletas, o tipo de evento e as condições climáticas.

3. Que informe quais medidas preventivas foram adotadas, incluindo hidratação, áreas de sombra, resfriamento e supervisão, e se elas eram suficientes para as condições em que a competição foi realizada.

4. Que esclareça se o evento contava com sua aprovação ou chancela oficial, quais exigências foram estabelecidas, quem as verificou e se as condições de segurança foram efetivamente fiscalizadas.

5. Que investigue o ocorrido, determine as responsabilidades e emita um relatório formal por escrito.

Família de Mario Torruco

Puebla, México.

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