Para ter resultado, a alimentação é a estratégia do sucesso
Marcelle Klein é minha paciente e atleta dedicada. Tem 36 anos, casada, mãe de duas meninas, empresária, arquiteta… carinha de princesa com força de Hulk. Há anos vem se preparando para chegar onde chegou: a semifinal do CrossFit Games. Para isso, abdicou de muitas coisas. Enfrentou frustrações, ciclos em que o resultado não veio como esperado, dias em que não conseguiu entregar o máximo. Mas sempre fazendo o máximo que conseguia.
Acompanho a Marcelle há algum tempo. Então, já vi ela subir no pódio como campeã individual no WodNation BR e também já vi momentos difíceis, de dúvida e ajuste. Aliás, é exatamente aí que entra o que diferencia: consistência. Resiliência não é discurso pra ela: é prática. E por trás de uma atleta nesse nível, existe estratégia. O acompanhamento nutricional de uma atleta de alta performance não é estático. Ele é dinâmico, ajustado semana a semana de acordo com volume, intensidade e fase do treino. Por isso, trabalhamos com periodização nutricional, principalmente de carboidratos, para garantir disponibilidade de glicogênio nos treinos mais exigentes e otimizar recuperação nos intervalos.
A dieta é base, precisa sustentar o treino. Sem energia suficiente, não há intensidade. Sem intensidade, não há adaptação. E sem adaptação, não existe evolução. Além disso, existe a periodização por macrociclo: o que o atleta come durante o bloco de preparação é diferente do que come na semana anterior à competição, que é diferente do que come no dia da prova.

Como se alimentar para a competição para ter resultado
Nos dias que antecedem uma prova desse nível, os estoques de glicogênio muscular e hepático precisam ser maximizados através da alimentação. Isso pode ser a diferença entre manter potência no último WOD ou entrar em colapso de energia. A avaliação de composição corporal é parte essencial desse processo, no caso da Marcelle é feita com DEXA, que hoje é o padrão-ouro. O DEXA usa raios-X de baixa intensidade para mapear com precisão três compartimentos: massa gordurosa, massa magra (músculo) e densidade mineral óssea permitindo assim, que eu consiga acompanhar com precisão massa magra, gordura e distribuição corporal. Mas não é só número: cruzo esses dados com performance, percepção de esforço, qualidade do sono, recuperação e sinais clínicos.
Além disso, tem a suplementação q entra como ferramenta estratégica — nunca como base. Utilizo recursos com respaldo científico para melhora de desempenho , como aumento de capacidade de repetição, atraso da fadiga e otimização da recuperação. Nada de modismo, nada de “achismo”. Cafeína, creatina, omega 3, vitamina D, complexo B, whey protein, beta alanina são usados estrategicamente para otimizar treino e recuperação. E tudo isso só funciona porque existe adesão. Existe disciplina. Existe uma atleta que faz o que precisa ser feito, todos os dias. Marcelle não chegou até aqui por acaso. Ela construiu esse caminho. E eu, como nutricionista dela, só posso dizer: é um orgulho imenso fazer parte dessa história. Ver de perto essa evolução, essa força, essa constância… é o tipo de trabalho que dá sentido pra tudo.
Ela inspira! E não só pelo resultado, mas pelo processo. Inspira principalmente nós mulheres de 30+ , que muitas vezes achamos que já não há mais tempo pra realizar aquele sonho guardado. Ela nos prova que o segredo é não parar, porque quem não pára pelo caminho, sempre chega.
Ana Junqueira

Ana Junqueira é nutricionista, com foco em nutrição esportiva, performance e saúde.
Praticante e apaixonada por crossfit, atua ajudando atletas e praticantes do esporte a melhorar rendimento, recuperação e composição corporal através de estratégias nutricionais individualizadas e baseadas em ciência.
