Quais novos movimentos podem ir para as aulas?

Durante as 20 provas do CrossFit Games 2026, os atletas estrearam novos movimentos e apresentaram releituras de habilidades já conhecidas. Ao longo dos anos, a modalidade incorporou diversos movimentos exibidos na competição ao treinamento diário dos boxes. Foi assim com o Wall Walking e o Crossover Double Under, que passaram dos Games para a rotina de muitos praticantes.

Agora, a pergunta é outra: quais dos novos movimentos realmente têm potencial para integrar as aulas de um box? Para responder, precisamos analisar critérios como nível de dificuldade, necessidade de equipamentos, estrutura disponível e viabilidade de aplicação no dia a dia. Ao todo, o CrossFit Games 2026 introduziu seis novidades: o lançamento de bags de peso, o GHD Wall Ball Shot, o Triple Under, o Shuttle Box Jumps, o Ring Rolls to Support e uma nova variação da passada no paralete durante o Handstand Walk. Alguns deles têm tudo para aparecer na programação dos boxes. Outros, porém, ainda esbarram em limitações técnicas e estruturais. Veja a análise de cada um.

Lançamento de bags de peso

Apesar de utilizar movimentos simples e exigir uma técnica relativamente acessível, o lançamento de bags dificilmente encontrará espaço dentro de um box. Nos Games, os atletas executaram o movimento em um ginásio amplo, com espaço suficiente para realizar os arremessos com segurança. A realidade da maioria dos boxes é completamente diferente. Na prática, a estrutura limita esse tipo de exercício. Apenas treinos realizados em áreas abertas, como eventos especiais ou treinões externos, permitiriam sua aplicação com segurança.

Além disso, poucos boxes possuem bags como parte do seu equipamento. Embora não sejam itens sofisticados, elas ainda não fazem parte do conjunto tradicional de materiais da modalidade. Substituí-las por uma medicine ball não reproduziria a mesma mecânica, devido ao tamanho e ao formato do implemento. Já utilizar um kettlebell tornaria o exercício inviável e inseguro.

GHD Wall Ball Shot

O GHD Wall Ball Shot aparece como uma das novidades mais fáceis de adaptar à realidade dos boxes. No entanto, a disponibilidade do GHD representa um grande obstáculo. A maioria dos boxes possui apenas uma ou duas unidades do equipamento, quantidade insuficiente para atender uma turma inteira durante uma aula. Além disso, o próprio exercício exige bastante controle corporal. Apesar da aparente simplicidade, o movimento recruta intensamente toda a musculatura do core e exige estabilidade e coordenação para ser executado corretamente.

Mesmo assim, os boxes podem adaptar a proposta sem perder sua essência. Uma alternativa consiste em posicionar os alunos para realizar um sit-up de frente para a parede e, ao final de cada repetição, lançar a bola contra ela. Essa adaptação elimina a necessidade do GHD, reduz a complexidade do movimento e mantém uma dinâmica semelhante à apresentada nos Games. Assim, o exercício se torna muito mais viável para o treinamento convencional.

Triple Under

O Triple Under desponta como o movimento mais fácil de incorporar às aulas quando o assunto é equipamento e espaço. Em contrapartida, ele também figura entre os mais complexos tecnicamente. Durante anos, o Triple Under apareceu apenas como uma espécie de lenda entre praticantes da modalidade. Em 2026, porém, ele ganhou protagonismo e surpreendeu até atletas de elite. Ainda assim, trata-se da novidade que mais se aproxima das habilidades já trabalhadas nos boxes. Quem domina o Double Under precisa apenas evoluir sua técnica para iniciar a progressão rumo ao triplo salto.

Por isso, o Triple Under reúne excelentes condições para entrar na rotina de treinamento. Evoluir o salto de corda continua sendo um grande desafio, mas os praticantes já possuem suas cordas e utilizam exatamente o mesmo espaço empregado nos demais exercícios com corda.

Shuttle Box Jumps

O Shuttle Box Jumps também apresenta grande potencial para entrar rapidamente na programação dos boxes. A nova versão do salto na caixa exige apenas um pequeno espaço adicional para que o praticante toque a mão no chão antes de retornar ao salto.Diferentemente do Shuttle Run, o movimento não exige percorrer grandes distâncias. Basta afastar-se alguns centímetros da caixa para cumprir a exigência da prova.

Além disso, essa dinâmica desencoraja os saltos contínuos, reduzindo um comportamento que frequentemente aumenta o risco de lesões. Como o atleta precisa tocar o chão antes de cada nova repetição, ele naturalmente quebra o ritmo explosivo dos saltos consecutivos.Na prática, o exercício utiliza apenas a caixa, equipamento presente em praticamente todos os boxes. Como reúne movimentos simples e familiares, o Shuttle Box Jumps tem grande potencial para integrar os treinos do dia a dia.

Ring Rolls to Support

Entre todas as novidades, o Ring Rolls to Support provavelmente representa a mais polêmica e, neste momento, a menos indicada para o ambiente dos boxes. Antes de qualquer tentativa de popularização, a comunidade precisa amadurecer os métodos de ensino e desenvolver progressões específicas para o movimento. Durante o próprio Games, diversos atletas de elite encontraram enorme dificuldade para executar a habilidade e somaram poucas repetições na prova. O equipamento, por si só, não representa um problema, já que basta utilizar um par de argolas. O grande desafio está na complexidade técnica da execução.

A história do CrossFit mostra que isso pode mudar com o tempo. Anos atrás, poucas pessoas conseguiam executar um Muscle Up. Hoje, muitos alunos do nível scale já realizam o movimento graças à evolução das metodologias de ensino. O mesmo processo provavelmente acontecerá com o Ring Rolls to Support. Porém, até que isso aconteça, coaches não devem incentivar sua prática sem possuir conhecimento específico e experiência suficiente. Além disso, o movimento exige colchões de segurança sob as argolas, um recurso que poucos boxes oferecem atualmente. Por isso, sua inclusão nas aulas ainda não se mostra recomendável.

HSW no paralete

Por fim, a nova entrada no paralete durante o Handstand Walk também pode encontrar espaço em alguns treinamentos, mas apenas para um público bastante específico.O movimento exige um paralete extremamente firme, capaz de suportar tanto o balanço quanto a impulsão do atleta durante a subida. Esse tipo de estrutura ainda é pouco comum na maioria dos boxes.

Por outro lado, essa habilidade representa uma evolução de um dos movimentos mais complexos da ginástica dentro do CrossFit. Para chegar a esse nível, o praticante já precisa dominar equilíbrio, força, coordenação e controle corporal. Por isso, os coaches podem incluir essa progressão em treinos destinados aos alunos mais avançados, especialmente aqueles que já dominam o Handstand Walk e conseguem superar obstáculos como anilhas e rampas. Para esse grupo, a nova técnica pode representar uma evolução natural dentro da modalidade.

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