Entenda o que as marcas querem dos atletas
Em 2022 eu escrevi um artigo chamado “Mas afinal, o que as marcas querem dos atletas?”, hoje, quatro anos depois, sinto como se as mesmas questões continuassem. Mesmo com uma pandemia, um desastre, novos esportes e novas mentalidades que chegam na modalidade, parece que muitas pessoas ainda não entenderam o que as marcas querem. Assusta um pouco, não o regresso, mas a falta de progresso de muitos atletas neste sentido. Afinal de contas, qual atleta não quer ser patrocinado? Aliás, qual atleta não precisa de um patrocínio para bancar o seu dia a dia?
Se a realidade for o CrossFit então, todo atleta de elite necessita ter seus patrocinadores para poder se sustentar. Vale ressaltar que por mais que estejamos falando de uma categoria esportiva de elite, o esporte ainda é amador. Ou seja, não existem estímulos ou bolsas para esses competidores. Então, a principal saída é de fato o patrocínio. É um fato que mais de 99% dos atletas hoje se dividem em outra profissão, seja como coach ou outra atividade. Com isso, não é difícil vermos atletas reclamando da falta de apoio e patrocínio. O que realmente é uma verdade, mas olhar só para um lado da questão é o maior dos erros. Afinal de contas, existe um motivo para que as marcas deixem de patrocinar alguns atletas. Muitos atletas não percebem isso e acabam perdendo seus patrocinadores, muitas vezes por uma falta de visão.
A ideia de ser exclusivamente atleta, treinando e competindo, para o cenário do CrossFit é muito pouco. Se você quer ter marcas acreditando e investindo em você, o pódio nem sempre é o caminho certo. Mas todo o seu caminho até a competição, pode fazer a diferença entre uma marca estar com você ou te abandonar em pouco tempo.
Entendendo como funcionam as marcas
Vale entender um pouco esse cenário. De começo, existe uma jogada comum no marketing que é chamar a atenção das pessoas. Nesse momento a marca que chega soma um número gigante de influenciadores e atletas junto a ela. Essa é a melhor maneira do produto chegar ao consumidor final, com isso, de repente, vemos inúmeras pessoas usando a mesma marca, ela aparece com força no cenário e parece que para onde você olha, você só vê ela. Uma vez que isso é feito, a marca vai para a segunda etapa e começa a diminuir o número de patrocinados.
Isso é comum quando a marca investe dinheiro em seus atletas e influenciadores. Não é por maldade, mas são valores que são gastos visando um crescimento, caso aquele patrocinado não retorne o valor para marca, ele sai. Isso acontece porque a marca vai utilizar aquele dinheiro gasto para dentro da empresa, contratando mais pessoas, comprando equipamentos e etc. Ou seja, a marca irá passar o dinheiro para algo que seja mais rentável do que o atleta patrocinado. Com isso, as marcas fazem uma verdadeira peneira de quem está realmente dando retorno, seja financeiro ou notoriedade para imagem da empresa, para saber quem fica e quem sai. Salvo as marcas que trabalham apenas com o cupom no estilo “você ganha o que você vende”. Nesse caso, manter o influenciador ou atleta, não vai gerar um gasto para empresa e ele se torna um vendedor por comissão.
Mas a verdade é que nesse momento de transição, a marca para de depender tanto dos atletas para aparecer, isso foi feito no primeiro momento. Assim ela ganha mais força e pode escolher quais atletas serão realmente seus patrocinados e quais deles vai realmente valer investir dinheiro daqui para frente.

Nem sempre o pódio é o objetivo
É comum ouvirmos: “o fulano subiu no pódio dos principais eventos do Brasil e não tem nenhum patrocínio”. Realmente, temos inúmeros casos sobre atletas que vencem os eventos e nenhuma marca os procuram. Mas por que isso? A resposta é contraditória e bem simples, hoje o pódio tem menos peso para as marcas do que o caminho até ele. Não é difícil vermos atletas que não sobem no pódio, mas que possuem marcas fortes.
Atualmente o lifestyle é quem dita as regras. Ou seja, como é sua vida, seu treino, seu dia a dia longe das competições? Como você se prepara para ela é mais importante do que como você performa. Imagine-se dono de uma marca. Você possui dois atletas, um sobe no pódio como o grande campeão, enquanto o outro fulgura no top 10. O campeão sobe no pódio com as roupas da sua marca e levanta a sua bandeira. Ele agradece pelo apoio e pronto. Você possui então uma imagem, além dos vídeos feitos durante a competição. Porém, esse atleta não faz vídeos durante a preparação, até para os adversário não verem seu treinamento.
Do outro lado, o top 10 tem o costume de tirar foto com as pessoas, todo treino ele reserva um momento para fazer um vídeo falando do seu produto. Ele posta o vídeo mostrando as novidades da marca e a qualidade dela. Ou seja, uma pessoa ativa nas redes sociais e simpático aos fãs. No final das contas, até a competição você teve um número alto de vídeos e imagens da sua marca. Nesse cenário, qual foi o mais importante dos dois competidores, não para o evento, mas para você? Vale colocar ainda nessa conta que nem sempre as pessoas acompanham as competições, mas estão quase 24 horas ligados nas redes sociais.
Ser presente e estar presente
Com esse exemplo, fica claro o que as marcas realmente querem. O público não se conecta a uma marca apenas durante uma competição de fim de semana. Pelo contrário, essa conexão acontece todos os dias, pouco a pouco, por meio de conteúdos frequentes que ensinam a audiência a conhecer e confiar na marca. Por isso, um campeão que só aparece nas redes sociais no dia da competição perde oportunidades de gerar valor para seus patrocinadores. Para a marca, esse atleta pode até conquistar títulos, mas não mantém uma presença capaz de aproximar o público dos produtos. Afinal, ninguém compra um grip apenas porque o campeão de uma competição usa aquele modelo. As pessoas compram porque o atleta mostrou, em um vídeo durante o treino, que o produto oferece boa aderência na barra, proporciona conforto ou apresenta alguma outra vantagem.
O atleta constrói o valor da marca durante o processo, e não apenas depois de conquistar um resultado. Essa é a diferença fundamental e o que realmente importa para quem deseja conquistar patrocinadores de longo prazo. Portanto, se você já alcançou o patamar de receber patrocínios, incorpore as marcas ao seu dia a dia e use suas redes sociais para mostrar o valor dos produtos. Não existe fórmula mágica para conquistar patrocinadores. No entanto, existe trabalho consistente para construir uma relação que beneficie os dois lados. Valorize a marca, demonstre seus diferenciais e ajude o público a entender por que aquele produto merece atenção. Assim, você também fortalece o seu próprio trabalho. Afinal, quando atleta e patrocinador constroem uma parceria em que ambos ganham, as chances de sucesso aumentam consideravelmente.
