Artigo: Mas afinal, o que as marcas querem dos atletas?

Desde 2018 quando junto ao meu irmão Gustavo Cosenza criamos a HORA DO BURPEE, sempre escutei de muitos atletas reclamações das mais diversas. Porém, entre elas, a maior de todas é sobre as questões de patrocínio. Muitos reclamam da falta de incentivo e interesse das marcas em patrocinar e ajudar atletas com potencial. Porém, ao criar contato com empresas e donos de marca me deparei com a realidade do outro lado. Com isso veio a pergunta: Mas afinal, o que querem as marcas e os atletas?

Claro que para não colocar ninguém em maus lençóis, optei por não expor nenhuma marca ou dono delas nesse artigo. Mas na realidade, o que as marcas querem é o mesmo que o atleta, notoriedade dentro do esporte e com o seu público. Mas para isso, um depende do outro, basta saber e entender como fazer isso. Existem atletas que possuem marcas de grande porte atreladas a sua imagem, mas há também aquelas marcas iniciantes que usam dessa imagem para poder ganhar notoriedade. Muitas vezes para elas esse patrocínio é ainda mais importante tanto para o nome da empresa, como para os custos mensais. Afinal, tirar um valor de uma megaempresa é uma coisa, tirar esse mesmo valor de uma empresa menor é outra.

Mas independente do valor que é investido e do tamanho da empresa, o importante é a geração de lucro e receita em cima do patrocinado. Um atleta que não consiga gerar uma receita agradável e que não consiga pelo menos bancar os custos que gera a empresa, passa a não ser interessante manter esse investimento. Vale lembrar que estamos falando de capitalismo e não de um mundo utópico onde se ajuda sem pensar no retorno. Toda marca investe pensando no retorno que isso lhe trará, com o atleta é a mesma coisa.

Como satisfazer a empresa?

Pense nesse cenário, você investe no atleta X, gasta dinheiro para que ele possa se inscrever em um competição, paga hotel, investe em roupa, muitas vezes na suplementação dele e etc. Ele faz bonito e consegue se manter em uma ótima qualificação, no final o resultado veio, ele sobe no ponto mais alto do pódio. Você como marca pensa: “conseguimos, o investimento foi bom”.

O atleta X então sobe ao pódio, emoção total, ele chora, vira e pega uma bandeira, quando estica ela, vem uma imagem de um apoiador que além de uma camisa, nunca deu nada para esse atleta. Como você, empresário que incentivou e investiu nesse atleta ficaria? Aquele é o momento em que a empresa pode de fato ficar com o atleta por mais um ano ou romper de vez. Exatamente esse feeling é o que falta para muitos atletas.

Existem diversos momentos durante a trajetória de um atleta em que ele pode elevar as marcas que patrocinam ele, uma entrevista, uma participação em um podcast, nas suas redes sociais, entre muitos outros pontos. “Hoje eu vejo empresas investindo em carreira de atletas que vão MUITO além da habilidade física, que saibam falar, se comportar, influenciar, ou seja, represente aquela marca pelo seu lifestyle. Mas me diz você, se o atleta, fica escondido 24h na box, como essas pessoas vão conhecer ele?”, pontuou Caro Hobo, em uma entrevista dada ao nosso site em 2019.

Caro ainda foi mais enfática na época: “existe uma grande diferença entre estar focado no seu objetivo, mas ter vida além disso, e ser um alienado de achar que saber fazer uma publi f* e criativa seja um desperdício de tempo. Será que trazer retorno pro cara que acredita no seu trabalho, pagar as contas dele também é desperdiçar tempo!?”.

Como satisfazer o atleta?

Por outro lado, também temos a necessidade dos atletas. Poder contar com o apoio das marcas é de extrema importância. Porém, elas precisam entender que não se paga suplementação, alimentação e nem conta de luz, gás e água com equipamentos. Exigir boas colocações dos patrocinados é um fato, porém muitas marcas confundem patrocínio com apoio. Se uma marca dá algum item ao atleta, ele está dando um apoio aquele profissional, apoio extremamente válido, mas um apoio e não um patrocínio.

Parafraseando mais um pedaço da nossa entrevista com Caro, ela que faz parte dos dois mundos, tanto de atleta como empresário salienta: “Um atleta precisa treinar muito pra ser bom. Mas pra treinar muito precisa de tempo, assim trabalhar menos pra treinar e descansar mais. Para tudo isso acontecer, precisa de patrocínio”. Por isso, a figura de uma marca patrocinadora é extremamente importante para todo e qualquer atleta.

Porém, as marcas precisam entender essa realidade o atleta muitas vezes precisa se dividir entre treino e trabalho, manter essa rotina é desgastante. Então, ter patrocinadores que possam bancar os custos da vida do atleta fora das arenas se torna muito importante para o desempenho dele nas competições e toda a sua evolução dentro das arenas.

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