Renata Pimentel: “Podem esperar de mim o meu 100%”

Ela roubou a cena no Open 2019 e conquistou a vaga feminina da Categoria Elite do CrossFit Games 2019. A representante da CrossFit Gurkha, Renata Pimentel tomou à frente no primeiro workout do Open e se manteve em primeira durante toda a competição. Agora, junto com Gui Malheiros, ela irá representar o Brasil na maior competição da modalidade no mundo. Como não poderia ser diferente, fomos ao encontro da atleta mais bem condicionada do país para conhecer um pouco mais de sua rotina e como foi trocar os tatames pelos boxes de CrossFit. Acompanhe abaixo a entrevista e entenda como Renata conseguiu o lugar mais alto na classificação feminina brasileira do Open.

Você é faixa preta de Jiu-jitsu, desde quando você praticou e quais competições ganhou?

Iniciei no jiu-jitsu com 14 anos. Hoje sou faixa preta e ja fui campeã Mundial, Panamericana e Brasileira.

Como você conheceu o CrossFit?

Conheci o CrossFit através do Éder (Costa). Quando nos conhecemos ele me chamou pra ir no box onde ele treinava pra experimentar, em 2014.

Quando você resolveu trocar os tatames pelas barras de uma vez por todas?

Decidi parar de praticar jiu-jitsu uns seis meses depois que iniciei o CrossFit. Quando percebi que meu corpo não aguentava mais tanto treino. Além de que, eu já não tinha mais empolgação na luta. Acabei sendo obrigada a fazer uma escolha, que aconteceu de forma natural e sem cobranças. Afinal já havia me dedicado a luta por 15 anos. Por isso, zero arrependimento!

Você colocou em um post em sua conta no Instragram que sente saudades das competições dentro do tatame, porém não sente saudade da necessidade das dietas para perder peso. Você acredita que é possível fazer dietas como essa para competir o Jiu-jitsu e não perder rendimento dentro do CrossFit ou é impossível conseguir alinhar os dois esportes em alto rendimento?

Na época em que eu lutava, tinha que manter a categoria de peso e era bem difícil para mim. Pois pesava 64 kg e qualquer coisinha passava. As meninas da categoria acima eram muito fortes e eu não. Afinal sempre fui alta e magra, sofria. Depois que relaxei das competições de jiu-jitsu eu me liberei mais a comer, percebi que não “engordava” e isso foi sensacional. Não tinha muita noção de nutrição. Mas hoje eu tenho total consciência de que muita gente na luta faz a coisa de uma forma completamente errada. Eu era uma delas. Mas agora tenho acompanhamento nutricional 100% do meu ano e não existe mais a loucura do “cut” pré-competição. Por isso, hoje preciso me alimentar bem e corretamente. Jamais de forma restritiva como antes, não daria pra aguentar a rotina de treinos.

Qual a melhor técnica da Renata Pimentel? E a pior?

A minha melhor técnica é de fato o Hang Clean, a que mais gosto de fazer. Já para o que eu ainda preciso melhorar, colocaria os exercícios ginásticos.

Qual a sua rotina de treino e alimentação?

Treino duas horas e duas vezes por dia. Um treino pela manhã e um anoite, mas isso sempre alterna muito.

O seu coach, Éder Costa, também é o seu marido. Por conta disso, existe alguma pressão diferente? Como é essa “dupla jornada”?

Na verdade eu nunca soube o que seria ser apenas esposa do Éder “marido”. Sempre foi o combo. Então acho que a gente se entende bem assim. Mas temos Poucas brigas, ele é bonzinho (risos).

Você conseguiu se destacar com uma larga vantagem das demais brasileiras durante todo o Open 2019. Na sua opinião, o que foi o diferencial para que você conseguisse ter esse distanciamento todo?

Eu não me destaquei no Open com larga diferença. Aliás, eu ganhei um wod (19.1) e por conta dele eu abri uma pontuação boa. Acho que dei a “sorte” de ter iniciado com movimentos muito bons pra mim. Quando percebi que poderia ter chances de ficar entre as melhores no resultado final fiquei na pressão de ir bem nos outros. Mas ganhar mesmo foi só um wod. Tenho 1,74m de altura e um dos meus melhores exercícios no CrossFit é o remo, assim como o wall ball. Então logo quando vi o anuncio do Open 19.1, já sabia que iria bem nele. Sobre os demais wods, não considero que tenha feito nada excepcional neles não.

Tivemos cinco workouts durante o Open, qual deles você sentiu mais dificuldade?

O pior dos wods eu considero que tenha sido o Open 19.5. Porque foi muito intenso e doeu. Doeu mais ainda quando tive que repetir ele.

Você conseguiu se classificar para o Games 2019, qual a responsabilidade que isso acarreta? Você sente alguma pressão?

Pois é! Classifiquei pros Games! Inclusive acabei de receber nesse instante a validação dos videos pela CrossFit Inc.,notícia de primeira mão (risos). Assim, como já fui ano passado, eu esse ano já me considero mais tranquila quanto a isso. Não sinto mais pressão não. Ano passado eu me cobrei muito, me sentia insegura e isso me destruiu na competição. Mas agora não, treinei pra isso. Tenho a consciência de que se eu classifiquei é porque tive meus méritos e sou suficientemente boa pra levar o nome do país até lá.

Mesmo podendo se inscrever no MASTER da competição, você preferiu se testar no ELITE do Games, como foi feita essa escolha?

O plano inicial era eu tentar o MASTER. Porém, depois que apareceu o 19.1 tudo mudou. Fui amadurecendo a ideia de que o elite poderia ser real. Depois do sufoco que passei pra conseguir isso, em respeito a mim eu jamais poderia abrir mão. Mesmo antes de acabar o Open eu já tinha isso como certo – se conseguisse o Elite não iria nem fazer o Qualifier master. Assim farei, vou apenas testar os wods pra poder dar referencias as meninas do meu time que estão fazendo. Mas tudo sem compromisso.

O que podemos esperar da Renata no Games desse ano?

Podem esperar de mim o meu 100% – é o máximo que posso dar né (risos). Estou com vontade, muita vontade. Estou treinando como nunca e a cabeça esta boa. O corpo está bem. Então tem tudo pra ser sensacional. Ainda não estabeleci metas de classificação.

Quem são seus patrocinadores?

Meus patrocinadores são a Gladius, a Fourmixx, Manipulação Pague Menos, a Gowod Mobility First e o Hospital Otoclínica.

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