Racismo acabará com o CrossFit?

A polêmica aumentou no CrossFit. Com isso o posicionamento de Greg Glassman sobre as questões do racismo acabou ganhando muita força e trouxe um domingo tenebroso para o esporte.

Diversos boxes no mundo inteiro se posicionaram contra a posição e as respostas de Glassman nas redes. Com isso, uma verdadeira ação dos donos de boxes veio à tona e muitos começaram a lançar notas de repúdio e afirmação de que iriam se desfiliar da CrossFit HQ.

Rich Froning está fora da CrossFit

Além disso, diversos atletas de renome, como Rich Froning vieram a público mostrar seu repúdio e afastamento total da empresa. “Não desculpo e apoio nenhum dos comentários feitos por Greg Glassman nesse final de semana. Esta manhã li algumas delas e não posso mais fazer parte disso”, explicou em um vídeo em seu Instagram.

Com os dizeres “I‘m out” (Estou fora/ Eu sai) diversos atletas como Katrín Davidstton, Noah Olsen, Alec Smith, além dos campeões do CrossFit Games Tea Claire Toomey e Matt Fraser, entre muitos outros, mostraram seu repúdio e deixaram o evento. Contudo, ainda é incerto quem irá continuar ou não, segue sem definição por enquanto.

Mas talvez o maior golpe sentido pela marca foi a saída dos patrocinadores do Games. Principal marca de equipamentos do evento, a Rogue já se posicionou e confirmou sua saída do evento. Outras marcas como NC Fit e FITaid, também se colocaram fora dos eventos de CrossFit da marca.

Greg Glassman acusa o golpe

No mundo da luta quando o lutador toma um golpe e não consegue disfarçar a dor ou efeito do golpe, usamos o termo “acusa o golpe”. Foi exatamente isso que parece ter acontecido com Glassman.

Após a repercussão colossalmente negativa sobre o racismo, o CEO decidiu, finalmente, se desculpar e postou em nota dizendo se arrepender do que falou.

“Eu, o CrossFit HQ e a comunidade CrossFit não aceitamos racismo. Cometi um erro com as palavras que escolhi ontem. Meu coração está profundamente triste pela dor que causei. Foi um erro, não racismo, mas um erro.

Floyd é um herói na comunidade negra e não apenas uma vítima. Eu deveria ter sido sensível a isso e não fui. Me desculpem por isso. Eu estava tentando colocar ele no @IHME_UW para seus modelos invalidados, resultando em um bloqueio desnecessário e destruidor de economia e vidas.

Então quando vi que eles anunciaram a modelagem de uma solução para nossa crise racial, fiquei incrédulo. Zangado e excessivamente emocional. Afinal, envolver o nome de George Floyd nesse momento estava errado.

Nossa esperança é que seu assassinato catálise mudanças reais, resultando em condições de igualdade para nossos irmãos e irmãs negros.

Por favor ouçam quando eu digo que apoiamos nossa comunidade na luta por Justiça. Eu me preocupo com você, nossa comunidade, estou aqui para você”.

Repercussão no Brasil

Aqui a repercussão negativa também foi imensa. O nosso primeiro representante do Games, Pablo Chalfun se posicionou de maneira sarcástica ao perguntar se seria possível um Impeachment de Glassman da presidência da CrossFit HQ.

Já outros grandes nomes que estiveram também no Games como Susana Etto é Lari Cunha, também mostraram sua indignação. “Nossa comunidade é maior que uma marca. Mudanças precisam ser feitas e já eram necessárias há muito tempo…”, publicou Lari em seu perfil.

Gui Malheiros também usou sua conta no Instagram para dar seu parecer. Ele que foi o representante brasileiro no ano passado e seria esse ano também, não fossem os cortes devido a pandemia, se colocou contrário ao posicionamento de Glassman e salientou: “O CrossFit faz parte da minha vida desde os meus 15 anos. Sou grato a tudo que o esporte me proporcionou. Eu sei que a nossa comunidade é muito maior que isso. A declaração dele não representa o nosso esporte. Vamos passar por mais essa juntos”.

Assim como fora do país, muitos boxes e marcas anunciaram seu repúdio e muitas academias avisaram que farão a desfiliação da empresa. A CrossFit Sinos, de Gui Domingues, irá fazer, ao invés de pagar a afiliação, um repasse no valor de US$ 2.000,00 a uma instituição de caridade da cidade de Leopoldo, terra do box.

Sem dúvida esse foi o assunto de um domingo triste para o nosso esporte, manchado por uma briga antiga e longe de acabar.

Fim do CrossFit?

Com certeza não. Parafraseando a fala de Lari Cunha, somos mais que um esporte. O nome CrossFit pode ser facilmente trocado para MMT ou Crosstraining, nome da modalidade que se pratica dentro da marca CrossFit.

O mais importante do caso de Glassman é de fato ver que a “Comunidade CrossFit” existe e é viva. Capaz até de ir contra o seu grande criador quando ele erra de maneira tão pesada. Sendo assim, e com o nome que quiserem dar, a comunidade com certeza não deixará de existir e podemos afirmar que a ideologia, criada antes disso tudo acontecer, existe sim e continua forte.

Contudo isso está longe de acabar! Então cabe aqui um “to be continued”….