Coluna Marcelo Prata: A categoria certa
É com um enorme prazer que inauguramos hoje a chegada de mais um colunista que se junta a nossa equipe. Assim, agora é o nosso “loucutor” Marcelo Prata que inaugura a sua coluna na HORA DO BURPEE. Sem papas na língua ele promete falar o que pensa nesse espaço e trazer todos os seus conhecimentos dentro da área fitness para dar ainda mais conteúdo para os nossos leitores. Estão prontos? Então leiam o primeiro artigo da Coluna Marcelo Prata:
A categoria certa
A importância de você participar de uma competição é poder medir o seu nível. O treino é um ensaio, mas o campeonato é o show. A importância disso para uma pessoa que está treinando, seja para ser um atleta amador ou profissional é justamente medir como ela vem ensaiando os seus treinos.
Dessa forma, vendo os resultados dela com a disciplina com a alimentação, se ela vem acompanhada psicologicamente para aquela competição, se ela treinou o suficiente para a competição. Afinal tem muita gente, o que não é errado, mas é uma teoria que pode causar mais dano que é o “evoluir durante a competição”. Mas independente disso, para ela participar da competição, ela vai ter que treinar bastante. Então eu vejo que um box de CrossFit bem guiado, se ela já teve contato com outros esportes, vai ser preciso por volta de seis meses para que ela esteja apta a competir. Porém se ela nunca teve esporte na vida, vai depender de pessoa para pessoa, mas creio que de um ano a um ano e meio para ela ter uma boa performance na competição.
Já no quesito da importância de ela participar na categoria certa é ter esse fato de competir com pessoas do mesmo nível dela. As categorias tem seus critérios, se no CrossFit não tem, ele teria que ter. Porque existem os movimentos certos para cada categoria, uma pessoa que não consiga executar um Ring Muscle Up, por exemplo, não pode fazer uma categoria RX.
Seja justo e faça na sua categoria
Mas o maior problema que eu vejo é pessoas que já possuem uma qualidade e variação de movimentos muito grande e participam das categorias mais baixas só para sair em melhor colocação. Isso é muito ruim, o ideal é que as pessoas respeitem o critério para que possam ser avaliadas corretamente.
Afinal se uma pessoa que é realmente iniciante, por exemplo, e compete com uma pessoa de nível acima, e que fica visível esse ponto, é extremamente injusto. Além disso, pode levar a pessoa que esta começando a desanimar de participar de outros eventos. Porque ele acaba se sentindo prejudicado com isso. Óbvio que sempre teremos um mais experiente que o outro dentro da mesma categoria, mas desde que estejam sempre na categoria certa.
Resultado: menos inscrições nos eventos
O grande problema que burlar a categoria certa acarreta com certeza é a diminuição de inscritos. Se pegarmos torneios consolidados no Brasil, tirando o TCB, como Iron Wod, KVRA Games, Wod Land, entre outros, o naturalmente o nível do torneio será mais alto.
Mesmo nas categorias de base, porém quando as pessoas burlam algo que teria que ser ético, elas tiram a oportunidade de quem ta começando. Isso leva uma queda no número de inscritos nas categorias que são maiores, porque a febre do CrossFit continua, e isso é muito bacana, mas gente começa a treinar e acaba querendo competir. Porém, ao se deparar com esse cenário, muitos desistem.
Ética dos coaches e atletas é a saída
Um dos principais pontos são os coaches que devem usar a ética como base. Inscrever seus atletas nas categorias certas de acordo com o que seu aluno consegue fazer, isso é um padrão ético que deveria existir. Mas isso também pode vir do próprio atleta.
Porém, o que eu vejo nas competições que eu trabalho no Brasil inteiro é que essa fiscalização parece não importar. Assim os coaches não pegam essa responsabilidade como função de treinador e esse “jeitinho brasileiro” de sempre ganhar acaba fazendo isso. Afinal é bonito postar uma foto no pódio e levar o troféu para o box.
É muito “legal” poder postar uma foto com uma medalha de participação no peito mostrando a superação e tudo mais. Porém o pódio rende muito mais comentário, ainda mais de pessoas que não conhecem o esporte, então essa exposição das redes sociais acabam atraindo isso. Mas o resultado disso é termos atletas no Scale com um nível elevado demais e que poderia estar inclusive no nível RX.
Uma Confederação para o CrossFit
Outra boa medida que poderia solucionar esse problema é ter uma confederação do esporte, onde os atletas teriam que se inscrever. Assim caso fosse notório que o atleta estivesse tentando se dar bem em alguma competição, ele poderia ser retirado na hora e desclassificado, punir o box ou treinador por estar em categoria errada e coisas do tipo. A realidade é que como não se tem nenhum tipo de fiscalização as pessoas não ligam e acabam transformando tudo em uma grande várzea.
Marcelo Prata

- Formado em ciência do exercício na North Carolina Wesleyan College nos EUA
- Marcelo Prata foi homenageado na formatura com o prêmio de Espírito da faculdade (prêmio dado a pessoas que unem a comunidade do ambiente da faculdade)
- Como atleta na faculdade:
– Jogador de tênis, corrida e futebol
– Mantém recordes de corrida e foi campeão da meia maratona da Jordânia em 2015
- Atualmente
– Marcelo Prata é dono da MPTEAM – Sistema progressivo de treinamento – que busca passar para seus participantes a vivência do processo de treinamento com um sistema de preparação física global. Concretizando bases para a criação de possibilidades de movimento
- Locutor/entretenimento de eventos de CrossFit