Marcelo Prata, o “Loucotor” dos eventos


Com mais de 30 eventos realizados e mais 15 para esse ano, Marcelo Prata é um dos nomes da locução no CrossFit brasileiro. O animador de eventos como KVRA Games, Wod Land, Iron Wod e Super Monstar Games é formado em Educação Física na North Carolina Wesleyan College, nos Estados Unidos. Praticante assíduo do CrossFit, Prata contou sobre seu ingresso na arte da locução, como vê a evolução do CrossFit no Brasil, as diferenças entre os atletas e o que prejudica os brasileiros. Atualmente ele está em recuperação, após sofrer uma lesão em seus treinamentos que acarretaram con a ruptura dos tendões quadricipital de suas duas coxas. Porém, ele mesmo garante que irá se recuperar a tempo para os compromissos firmados para esse ano. O trabalho diário de recuperação é postado todos os dias em suas redes sociais. Acompanhe e conheça um pouco do homem por trás do animador.

Como descobriu o Crossfit?

Em 2010 eu vi um vídeo do Rich Fronning vs Jason Khalipa no open e me interessei pela intensidade da modalidade. Por isso, pesquisei um pouco mais e desde então estudo bastante sobre o CrossFit para entender melhor a forma do Set Up da modalidade.

Quando viu que a animação dentro dos eventos era uma vertente sua?

Desde de pequeno sempre gostei muito de dançar e animar a galera para dançar junto em festinhas. Sempre fui representante de turma. Quando tive a oportunidade de narrar o primeiro WOD LAND, em 2016, fiquei super empolgado em unir público, atletas e organização. Desde então eu carrego o slogan, “vai muito além da locução”.

Você conseguiu o segundo lugar como locutor de eventos no ano passado. O que significa isso para você?

Quando começou o processo de votação para melhores locutores do ano eu fiquei empolgado, mas sabia que não era uma competição normal, devido ao número de seguidores que cada locutor tem. Me surpreendi quando comecei a ser marcado nas postagens por pessoas de diferentes lugares do Brasil. Quando recebi a notícia que estava na final fiquei lisonjeado. Pois sabia que meu trabalho estava sendo reconhecido pelo público. Ter recebido o segundo lugar foi gratificante, sabendo que competi com a Naty Graciano (atual locutora dos Regionais) e também uma amiga de trabalho. Muitas pessoas me mandaram mensagem parabenizando e isso abriu mais portas para futuros trabalhos em 2019.

O que é preciso ter para se destacar dentro dos eventos de Crossfit?

Não penso em destaque. Tudo depende do Evento. Exemplo, imagine narrar o CrossFit Games, lá a energia é intensa igual a um jogo de NBA. Porém, é o evento mais importante da modalidade, então não existe margem de erro. A atenção nos atletas, nas provas é redobrada isso significa que o locutor precisa saber sobre as provas, sobre cada atleta e qual pode surpreender, coisas do tipo.

E onde fica a parte de animação dos eventos?

Não vejo muito espaço para uma animação, porém o locutor precisa ter um alto nível de energia. Claro que nos intervalos pode acontecer um entretenimento com o público, mas isso também depende da organização. Em campeonatos brasileiros, o que eu vejo que tenho de destaque, é conseguir trazer o público mais próximo aos atletas e entreter também os junges e staff. Não sou muito forte em narrar o que está acontecendo nas provas, meu forte mesmo é fazer com que o público fique cada vez mais próximo aos atletas dentro da arena.

Além de animador, você também é um profissional da área e um praticante, isso te ajuda na hora de animar?

Estou envolvido com esportes desde que me entendo por gente. Ser um preparador físico sempre foi um sonho. Hoje eu vivo o que eu sonhei. Já competi em torneios de CrossFit nas categorias amador e Rx, mas parei devido ao pouco tempo de treinamento. Continuo em um alto treinamento o que ajuda muito na hora da competição. Porque sei o que cada movimento faz com o atleta na arena. Adoro ajudar os atletas na hora do esforço máximo e faço questão de mostrar ao público atletas que se destacaram, seja lá o motivo.

Você coloca em suas redes sociais diversos vídeos onde executa movimentos calistênicos e outras técnicas. Essa dedicação aos exercícios vieram junto do Crossfit?

Eu tenho um sistema de treinamento chamado SISTEMA PROGRESSIVO DE TREINAMENTO. Criei esse sistema justamente para mostrar ao público como se constrói uma base que possa ser usada em qualquer modalidade. Sabendo que o CrossFit também é funcional, tenho muita procura de participantes e treinadores para entender melhor o que faço e também para ministrar WORKSHOPS e CLINICAS.

Você também é um dos colunistas do blog Pood Fitness, onde dá dicas e fala sobre os diversos movimentos do Crossfit. Como surgiu a ideia?

Um dos donos da POODFITNESS se interessou pelos meus treinos e postagens a uns anos atrás. Desde então a POOD tem sido a marca que mais me ajuda a crescer no mundo do CrossFit brasileiro. A ideia de escrever sobre movimentos ou coisas parecidas veio das progressões que faço durante as minhas aulas. A ideia principal era mostrar ao público, em forma escrita e vídeo, novas ideias de bases de treinamento.

Fale um pouco sobre a sua equipe MPTEAM. Qual a ideia dela?

Surgiu em 2013 após eu voltar ao Brasil. Minha ideia era simples, trazer o alto rendimento para o público em geral, logicamente adaptando a qualquer pessoa. Para entender melhor sobre o alto rendimento é necessário entender o significado de comprometimento e disciplina. Essas duas palavras são os carros chefes da MPTEAM.  Em seguida começar a compreender que para ter uma saúde que busca a longevidade é necessário entender a fusão da Nutrição, Psicologia e Preparação Física.

Como funcionam essas três vertentes?

A atividade física não é primariamente a fonte de emagrecimento e sim a nutrição. A parte mental é responsável pela forma de cada pessoa lida com situações do dia a dia, assim como o treinamento. Percebi com os anos que a auto sabotagem era visível em todos os esportes e modalidades de treinamento. Assim veio a ideia de mostrar caminhos através da atividade física de buscar longevidade com um treinamento baseado primeiramente em movimentos corporais e em seguida movimentos corporais com objetos (KTB, BARRA, DUMBBELL e por ai vai).

Como você vê o atual cenário do Crossfit no Brasil? E nos eventos?

Ás vezes eu prefiro não comentar. Porque as pessoas (treinadores) em sua maioria apenas dão ouvidos a quem tem uma certa influência no esporte. Eu morei nos Estados Unidos por cinco anos, sou treinador de uma atleta profissional de Tênis, estive nos maiores torneios de Tênis do mundo e digo uma coisa, os atletas Brasileiros são muito talentosos. Porém, há dois problemas em minha visão, periodização e mídia social.

Como assim? Você acredita que as mídias sociais atrapalham?

Por exemplo, empresas procuram apoiar ou patrocinar atletas brasileiros em troca da mídia social. Porém, eu vejo um pouco de abuso de algumas empresas. Você já viu o Mat Fraser filmando seu treino? Fazendo “story” no Instagram sobre seus patrocinadores ou apoiadores? Eu realmente não entendo como um atleta consegue treinar preocupado se seu celular está na posição certa para filmagem. A periodização é ligada nas mídias. Dessa maneira, o tempo que o atleta deveria estar preocupado em analisar seu treino, ele na maioria das vezes pausa a filmagem. Alguns reveem se ficou bom e isso, sem sombra de dúvidas, tira o foco do treinamento.

Por que ainda não temos, na sua opinião, atletas brasileiros que competem a altura de grandes nomes do CrossFit internacional?

Atletas americanos tem uma vantagem muito grande devido a experiência universitária que tem nível de alto rendimento. Mat Fraser e Rich Fronning foram atletas universitários. Josh Brigdes e Nave Seal, a bagagem que carregam é muito grande. Infelizmente no Brasil o esporte universitário é precário. Na verdade, qualquer pessoa que resolve seguir uma carreira desportiva não tem apoio nenhum na base. Não temos bases desportivas, apenas quando o atleta se torna destaque, ele recebe algum tipo de apoio. No CrossFit não é diferente.

O ano de 2019 está começando agora, quais eventos teremos Marcelo Prata a frente da animação?

Que começo de ano. Estou em processo de recuperação de uma lesão muito forte nas duas pernas. Os campeonatos não serão afetados, já fechei a agenda com mais de 15 campeonatos e estou super animado para um ano que será de um aprendizado fantástico.

Para finalizar, dê uma dica para quem quer ser animador de eventos assim como você.

Para animar um evento de CrossFit o mesmo precisa praticar o esporte para entender o que o atleta sente na hora de uma competição. Ajuda muito a entender as provas e basta saber que cada locutor tem sua essência. Não queira copiar ninguém, veja o que você pode trazer para acrescentar nos eventos. A locução é simples, a alma de um torneio vira o entretenimento. Como trazer o público perto dos atletas, como trazer os Staff perto do público e assim você vai conectando os pontos. Lembre se também que cada campeonato tem a sua essência. Por isso, sempre é valido ter boas conversas com os organizadores para saber o que eles gostam e o que não gostam!