Entrevista com o fotógrafo Bernardo Pimentel

Ele quase nunca aparece, não é um dos atletas nas competições, porém é o responsável pelas melhores imagens dos eventos de Crossfit. Assim é a vida do fotografo Bernardo Pimentel. Através de suas lentes, ele capta as melhores imagens, mostra a garra dos atletas, a força da torcida, entre muitos outros pontos. Assim, o primeiro brasileiro a ser contratado pela Crossfit Inc. para os eventos, Bernardo é atualmente um dos grandes nomes da fotografia de Crossfit. Pensando em conhecer e apresentar ao leitor da HORA DO BURPEE como funciona o mundo da fotografia, conversamos com ele. Acompanhe nosso bate papo e descubra o que há por trás das lentes de Bernardo:

Quando você começou a fotografar?

Comecei a fotografar em 2016, numa tentativa de mostrar um pouco de como minha cabeça atribulada vê o mundo (risos).

Quando passou a fotografar em eventos de Crossfit?

A fotografia de Crossfit surgiu de maneira um pouco inusitada. Eu conheci, há muitos anos, o Guilherme Belém (um dos donos da Troia Crossfit), e um tempo antes de começar a fotografar. Tive a oportunidade de experimentar o Crossfit quando era algo realmente novo aqui no Brasil. Quando comecei a fotografar, lembrei dessa experiência e resolvi testar algumas fotos dentro do box dele. Logo após, participei da minha primeira cobertura fotográfica em arena.

Quais eventos você já fotografou?

Tive a oportunidade de fotografar o Monstar (2016,2017, 2018), TCB (2017,2018), Wodexperience (2017), WodLand (2017), Extreme Summer Games (2017), NiteróiGames (2016), Wodsunset (2017/2018), Doubleig (2017), Riocariocagames (2017/2018), BrazilianShowDown (2017), Machine (2018), Interrio (2018), Igilrs (2017), IronWod (2018), Desafio da Serra (2017), D3 Challenge (2017/2018), Musas Chalenge (2018), Mitras War (2017)

Como foi sua experiência com a Crossfit Inc?

Foi uma experiência muito gratificante como profissional da fotografia. Ainda mais em tempos onde o profissional é, por vezes, visto como qualquer pessoa com uma câmera e onde se faz fotos em troca de status, ser contratado como “talento em potencial em crescimento” foi uma honra e diria que até alívio (risos). Fui muito bem tratado e de forma muito cordial e respeitosa pelo responsável pela mídia na época.

Como funciona a questão dos fotógrafos dentro dos eventos?

Não existe um padrão ainda para todos os eventos em relação as mídias. Assim, cada evento tem sua própria forma de lidar com o cadastramento das mesmas. Porém, existe uma tentativa de padronização para com os eventos e seus ganhos, mas é uma questão muito polêmica.

Como são escolhidos os fotógrafos? São todos profissionais da área?

Eventos maiores buscam sim o cadastramento de mídias profissionais, em que a qualidade de seu trabalho irá refletir a importância e tamanho do evento.

Como está o cenário da fotografia dentro do Crossfit?

Em minha percepção, o cenário da fotografia no Crossfit está um pouco conturbado. Pois, estamos num momento de mudança e requer atenção para que os fotógrafos tenham condições de entregar, aos eventos, aquilo que os mesmos esperam deste trabalho.. fotos que falem por si só.. não apenas registros sem valor. Por isso, o fotógrafo, quando valorizado, produz arte e beleza, como qualquer outro trabalho artístico.

Quantas fotos mais ou menos são tiradas por evento?

Esta questão é bem aberta. Por isso varia muito em relação a cada evento e depende também do número de atletas, bem como a quantidade de dias do evento. Mas diria que, em um número próximo , algo em torno de 2000 fotos ao dia.

Todas as fotos são aproveitadas?

Em meu caso, a maioria das fotos não são utilizadas. Pois, muitas das fotos que faço para determinado atleta não são as escolhidas pelo mesmo. Assim, a utilização dessas fotos como portfólio nem sempre é possível também.

Atualmente, com o número crescente de eventos no país, é possível viver de fotografia dentro do Crossfit

Para mim, tem que gostar muito da fotografia de Crossfit para tentar viver da mesma. Apesar do número crescente de eventos, por vezes o fotógrafo não consegue vendas suficientes para que consiga pagar seus custos, ou mesmo tem que repassar parte de seu ganho para terceiros, o que tem se mostrado bem complicado.

O que você acha que deve ser melhorado no ramo da fotografia dentro do Crossfit?

Costumo dizer que “nunca é apenas uma foto”. Por isso, vemos muitos aventureiros tentando entrar em arenas, fazer fotos etc. Isso é bem complicado, pois existem muitos riscos para fotógrafos e para a organização em si. Um fotógrafo inexperiente pode atrapalhar atletas, Judges entre outros, sem contar no risco de acidentes com barras e etc. Acredito que o meio fotográfico de CF é sensacional e muito belo. Temos profissionais incrivelmente artísticos e tentando gerar materiais de peso e só a valorização profissional vai manter estes produzindo, se inspirando e se mantendo neste meio.