Entrevista com Leonardo Lima

Esportista desde os quatro anos de idade e viciado em esportes, o engenheiro Leonardo Lima conheceu o Crossfit há três anos em pleno Carnaval. Na época, ele mal sabia o que era o esporte e muito menos que iria representar o Brasil, na categoria MASTER, no maior evento do mundo, o Crossfit Games. Em uma entrevista exclusiva para HORA DO BURPEE, o capixaba de 51 anos e proprietário do Crossfit Canal, contou um pouco de sua história e sua experiência dentro da maior competição do Crossfit do mundo. Onde conseguiu ficar no 11º lugar esse ano. Acompanhe:

Você sempre foi atleta?

Sim. Desde criança eu pratico esportes. Comecei pelo judô aos quatro anos, fui até os 22 anos praticando, depois fui para o surf e para o kitesurf. Mas sempre fazendo musculação e corrida de maneira conjugada. Sempre fui muito ativo esportivamente, não me lembro de ter alguma fase onde não estivesse fazendo algum esporte.

Como conheceu o Crossfit?

Conheci o Crossfit a três anos no Carnaval. Eu encontrei um amigo meu que sempre foi gordinho. Falei para ele: “nossa você está magro”. Então dei uma tapinha no peito dele e vi que além de magro ele estava forte, aí perguntei para ele o que estava fazendo. Ele então falou que estava fazendo Crossfit. Isso era uma quarta de cinzas, então disse que na segunda-feira eu iria encontrar ele para experimentar. Fui, entrei e estou até hoje agarrado nesse vício (risos).

O que te chamou mais atenção na modalidade?

O fato de ser uma atividade muito híbrida. Porque você precisa ter várias habilidades ao mesmo tempo. Não adianta a pessoa ser muito forte senão não vai ter um cardio bom o suficiente. Também não adianta ser um maratonista que não vai ter força suficiente para levantar peso. Então no Crossfit você precisa ter todas as habilidades de todos os esportes. Condições cardiorrespiratórias, força, resistência e potência. A mistura esportiva é bem vasta. Por isso, acho que eu fiquei com as características necessárias para fazer o Crossfit de maneira mais eficiente.

Participou de muitas competições? Quais?

Minha primeira competição eu tinha um ano de Crossfit. Foi o Monster, que me inscrevi na categoria scaled, não tinha uma divisão de MASTER. Entretanto, eu e mais 15 pessoas do meu box se inscreveram e eu acabei me classificando. Então fui competir em São Paulo e me animei. Fiquei em 30º lugar. Logo em seguida fiz o TCB de 2016, que eu me inscrevi e fiquei em sétimo no Brasil. Já tinha a categoria de Master até 50 anos. Porém, eu não consegui competir as provas finais porque lesionei o ombro.

Mas em 2017 fiz mais um Monster, categoria +40, que eu terminei em quinto. Depois veio o TCB 2017 que eu fui campeão brasileiro. Enfim, logo em seguida vi que eu tinha chances de participar do Crossfit Games. Porém, passei por lesão em 2017, o que me fez perder muitas posições no ranking, mas vi que se me dedicasse de verdade, conseguiria ir para o Games, que foi o que aconteceu em 2018.

Como você conseguiu chegar até o Crossfit Games?

Diante da minha trajetória de competições eu vi que realmente eu tinha habilidade para poder participar do Crossfit Games. Assim, em 2016 quando eu passei para as finais do TCB, eu comecei a fazer uma dieta com um nutricionista. Então há dois anos eu nunca furei essa dieta, não como açúcar e não como carboidratos com alto índice glicêmico. Portanto, eu sigo ela rigorosamente.

Eu vi que comia qualquer coisa e treinava de qualquer maneira e conseguia me classificar. Pensei então em investir um pouco mais em mim, pois assim a minha performance aumentaria ainda mais no esporte. Passei a fazer essa dieta e em 2017, uma semana antes do TCB que eu ganhei, eu contratei o Junior Carvalho para ser meu coach. Então de lá para cá eu faço um treino de alta qualidade e somei a dedicação ao esporte, uma vida saudável e um bom treino, o que me rendeu o Crossfit Games 2018.

Como foi representar o Brasil nos jogos?

Representar o Brasil foi realmente muito gratificante, uma experiência única. Os brasileiros que estavam lá fizeram uma torcida muito calorosa, a torcida e as mensagens que recebíamos pelas redes eram muito gratificantes, isso tudo realmente aumentou o nosso estímulo para ter um desempenho melhor ainda nas competições. Foi com muito orgulho que eu representei o Brasil nesse Crossfit Games 2018.

Qual a importância de termos competidores, independente das colocações, indo para a maior disputa mundial da modalidade?

Eu acho que a grande importância é mostrar que o Brasil está crescendo no esporte, é o segundo país em número de box, então o Brasil tem aumentado o número de participantes ano a ano. Eu acredito que isso vai aumentar mais ainda porque vai ser proporcional a esse foco que o país está dando. O Brasil está investindo no Crossfit e com certeza, não tenho dúvidas de que teremos um maior desempenho do país ano a ano. Quero eu estar participando ano que vem novamente (risos), vamos estar trabalhando bastante para isso.

Você disputou o MASTER, qual a importância de fazer uma competição de alto rendimento, com uma idade mais avançada do que as dos demais atletas? Quais as dificuldades?

O que eu percebo é que para manter um volume alto de rendimento, com a idade, o tempo para recuperação é muito mais difícil. A gente faz um treino puxado, quando vai fazer o seguinte, ainda está sentindo o treino anterior. A recuperação é mais lenta, o que faz com que eu treine sempre mais cansando e com 80% do meu real rendimento. Também tem o risco de lesão, tenho sempre que aquecer de 20 a 30 minutos por dia, para entrar no treino, para minimizar a lesão.

Qual tipo de exercício do Crossfit você poderia destacar como seu ponto forte?

Na realidade o meu ponto forte é não ser excepcional em nenhum dos exercícios. Eu sou um atleta de média alta em todas as modalidades. Acho que isso faz a diferença. Posso não ganhar a prova, mas fico bem em todas elas, sempre faço isso nos campeonatos.

Qual exercício seria um ponto a ser melhorado?

Durante muito tempo eu briguei com o double under. Ele sempre foi uma fraqueza minha porque dependia também de habilidades motoras. Acho que levei uns dois anos para conseguir fazer ele. Hoje em dia eu faço, sem problemas, mas o meu cardio sobe muito, ainda tenho que aprender a fazer ele sem elevar tanto essa parte. Por sinal, reparando os outros atletas do Crossfit Games, o que preciso melhorar é a questão cardiorrespiratória e o condicionamento físico, além de melhorar a qualidade e técnica de LPO para subir mais posições.

Quais as dificuldades que um atleta de Crossfit passa?

Eu acho que o atleta no Brasil tem muito pouco apoio. No caso do Crossfit eu percebo que os atletas são geralmente coachs e fazem um trabalho que demanda muito tempo que é dar as aulas, então precisão achar dentro disso, espaço para treinar. Eu acho que essa seria a maior dificuldade dos atletas de Crossfit. No meu caso, o meu trabalho não me demanda um esforço físico, então por ser algo mais intelectual e menos físico, isso me deixa, ao meu ver, em um ponto mais privilegiado.

Quais são os próximos passos na sua carreira de atleta?

Vou continuar treinando com a mesma dedicação que sempre tive, tentando a melhoria técnica, arrumando os detalhes que preciso. Espero e vou treinar para isso, conseguir ir no Crossfit Games 2019. Essa é minha meta. Não estou visando competir muitas vezes aqui no Brasil, quero selecionar os torneios, pois quero tentar o Games e fazer o TCB.