Giselle Santos: “Todas as dietas são eficazes e eficientes se você seguir elas à risca”

“O fato de eu praticar e competir no CrossFit me ajuda muito no trabalho”. Foi dessa forma que a nutricionista Giselle Santos conseguiu ganhar destaque e notoriedade dentro da modalidade. A nutricionista de estrelas como Caro Hobo, Vivi Aielo, André Sanches e muito outros, marcou uma vaga na sua agenda lotada para falar com a nossa equipe. A vencedora do prêmio de “Melhor Nutricionista” no Prêmio Melhores do Ano CF 2018, falou sobre sua carreira, a importância das dietas, a importância do carboidrato para um CrossFiter, doping e a nova marca de suplemento exclusiva para o CrossFit.

Você sempre praticou esporte?

Pratico desde criança. Meu pai é um esportista e amante do esporte, então ele sempre me incentivou muito a praticar. Sempre joguei futebol e fiz musculação minha vida toda.

Por que escolheu nutrição?

Eu fui comissária de bordo por 10 anos, durante esse tempo eu atingi o nível máximo que uma comissária conseguiria chegar dentro de uma empresa. Senti vontade de me desafiar dentro de uma outra profissão. Por gostar muito de praticar atividade física eu comecei a nutrição. Na realidade eu entrei para nutrição por curiosidade, porque eu queria aprender a me alimentar melhor, para melhorar os meus resultados nos treinos de musculação. A nutrição foi uma escolha mais curiosa, até se tornar uma paixão que me fez querer parar de voar para atender as pessoas.

Como ingressou no CrossFit?

Comecei há quatro anos e meio por conta de um namorado. Ele fez uma aula de CrossFit e achou que aquilo era a minha cara. Ele me mostrou no Youtube uma competição de CrossFit na praia e falou: “olha isso aqui, é a sua cara. Você precisa fazer esse esporte”. Então eu fui atrás de um box perto da minha casa. Na época só existia ele no país que era o CrossFit Brasil, tinha uma fila imensa de espera para fazer aula. Então eu vi no Google que iria abrir um box perto da minha rua que era a CrossFit Sampa. Quando ela abriu fui a primeira a aparecer lá e fui a primeira aluna do box, tenho muito orgulho de falar isso (risos). Desde então o CrossFit entrou na minha vida. Quando comecei eu ainda era comissária de bordo, então eu sempre digo que o CrossFit ajudou a mudar de profissão, decidir mudar mesmo. Eu considero o CrossFit um dos meus impulsos para mudar de vez para a Nutrição.

Além de trabalhar com a nutrição dentro do CrossFit, você é praticante da modalidade e já competiu diversas vezes. Isso auxilia no seu trabalho?

Sem sombra de dúvidas. Certeza absoluta que o fato de eu praticar e competir no CrossFit me ajuda muito no trabalho. Aliás, nos meus três primeiros anos de CrossFit eu competi muito e em alta intensidade participando de grandes torneios. Assim eu competi duas vezes no TCB, participei das Seletivas e do Monstar Games na categoria Elite. Eu quis vivenciar tudo, a alta intensidade, participar de grandes competições em equipes e muito do que me estimula a competir é justamente vivenciar o que o meu paciente vive. É muito comum no CrossFit competir. Alguns em alta intensidade, temos atletas que vivem disso, mas todo mundo que entra quer competir, nem que seja dentro do box. Então eu considero essencial e extremamente importante, para mim, poder viver isso. Entender o que os meus pacientes sentem. Muitas vezes eu testo as provas que eles farão para poder entender o que eles irão enfrentar e como irão sentir aquilo.

Você trabalha com quais atletas de alta perfomance dentro do CrossFit?

Trabalho com a Caro Hobo, Lucas Pusch, Vivi Aielo, Karime Ferrari, Lupa, André Sanches, Priscila Horvath, Vítor Caetano e Gustavo Lemos.

Qual a importância de se preparar com o auxílio de um profissional de nutrição?

Esse profissional vai entender as suas reais necessidades. Ele vai fazer um planejamento calculado de acordo com o seu gasto e da planilha que você está seguindo atualmente, com a fase que o atleta está seguindo atualmente. Isso é algo que a pessoa não conseguiria fazer sem o auxílio. Esse profissional, vai auxiliar com uma suplementação, vai identificar déficits de vitaminas, essenciais quando se fala de performance. Ele vai identificar possíveis disbiose*, possíveis intolerâncias e tudo que for preciso para potencializar a performance do atleta e seus resultados.

Dietas como jejum intermitente e dieta da proteína, são de fato eficazes ou isso é um mito? Um praticante de CrossFit pode fazer elas sem se prejudicar?

Todas as dietas são eficazes e eficientes se você seguir elas à risca. Mas quando se fala em performance você pode fazer duas coisas. Você pode fazer uma dieta mais restrita, como a low carb* ou um jejum, e pode acabar não tendo um aumento no rendimento. Isso não vai significar que você vai ter uma queda de rendimento, mas não tem garantia de um aumento. Normalmente essas dietas são com uma ingestão de carboidratos muito baixa, eu considero o carboidrato um macro nutriente indispensável e essencial para nossa atividade, que é de alta intensidade. Então quando se fala de um praticante do dia a dia do box, para gente atingir uma composição corporal com ele, quando está a cima do peso, talvez a gente precise passar uma dieta um pouco mais restritiva. Mas isso não quer dizer que esse paciente vai ter queda de rendimento. O profissional precisa fazer o possível para que paciente não tenha essa queda.

Qual a importância do atleta não perder o rendimento por conta de uma dieta restritiva como essas?

O bom rendimento do paciente no treino vai ajudar muito nos objetivos dele, seja ele qual for, ganho de massa muscular, perda de peso, aumento de performance. Nunca vai valer a pena uma dieta onde você tenha queda de rendimento. Nunca mesmo. O objetivo com meu paciente vai ser sempre o contrário. É sempre potencializar os resultados e o rendimento, porque o treino é essencial. Por isso, não vale a pena colocar o paciente em uma dieta restritiva que vai dar a ele uma queda de rendimento. Assim, isso irá atrapalhar ele na dieta também. O meu paciente pode ter um resultado melhor e muito mais rápido se ele treinar melhor, mas seu eu passo uma dieta restrita, ele não irá treinar melhor.

O “Dia do lixo” pode de fato existir?

Gosto de falar uma refeição, acho muito um dia inteiro de “lixo”. Para alguns pacientes essa refeição serve até como estímulo. Então em alguns casos é bem interessante. Por isso a gente tem sempre que avaliar o paciente individualmente. Pois ao mesmo tempo que para alguns é um estímulo que faz com que ele volte a aderir a dieta de uma maneira mais firme, para outros pode ser o play para uma “jacada eterna”. Então a minha opinião é que o nutricionista tem que avaliar o paciente para ver o histórico dele em relação a essa refeição para liberar ou não. Mas no geral eu acho uma estratégia válida.

O que não pode faltar na dieta de um atleta de CrossFit?

A dieta deve consistir em alimentos ricos em carboidratos complexos e simples como (cereais, massas, legumes, raízes), proteína animal e vegetal como peixe, carne vermelha, ovo, leguminosas e vitaminas e minerais (frutas vermelhas, folhas escuras). Além disso, não podemos esquecer de priorizar frutas, vegetais e especiarias, como gengibre, cúrcuma e alho, que têm alto poder antioxidante e são anti-inflamatórios que ajudam a prevenir danos musculares.

Como nasceu a Hopper Nutrition?

Ela nasceu de um convite da Caro (Hobo) que foi convidada pela Integralmédica para criar uma linha de suplementos para o CrossFit. Então a partir desse convite a Caro precisou montar uma equipe e nela teria uma nutricionista que ia ajudar na formulação desses produtos. Então o meu papel na Hopper é tentar colocar nos suplementos o que eu considero indispensável para um CrossFiter ingerir. Assim, por exemplo, o que eu poderia colocar em um whey protein que poderia ajudar no nosso esporte e auxiliar os nossos pacientes e praticantes de CrossFit. Assim, criamos então um pré treino com ingredientes que eu considero essenciais nesse momento para o atleta.

Como é fazer parte de uma equipe voltada 100% em cuidar da nutrição para o CrossFit?

Na realidade foi um sonho poder fazer parte dessa equipe. Você ver uma empresa sair do papel para as prateleiras, é como ver um filho nascer mesmo (risos). Eu e a Caro escolhemos todos os nomes dos suplementos. O pré treino, por exemplo, se chama “Murph”, temos uma barrinha chamada “Cindy”. Então foi feito tudo com muito amor e muito carinho. Foi também muito trabalhoso, foi um ano de muito trabalho e pesquisa. Fomos realmente atrás de conhecimento, era algo novo para mim porque nunca havia trabalhado com a formulação de suplementos. Mesmo sendo nutricionista esportiva, nunca havia trabalhado com formulação de suplementos, nunca estive desse lado. Foram dias e noites até conseguir lançar a Hopper.

Como está sendo a aceitação da marca no mercado?

Têm dado super certo. A Hopper tem sido abraçado pelos praticantes de CrossFit. Está virando o que a gente queria que a Hopper fosse de fato, reconhecida como o suplemento que foi totalmente voltado para o CrossFit. Então a Hopper é a primeira linha de suplementos, única e exclusivamente voltada para o CrossFit.

Atualmente, tivemos alguns casos de brasileiros pegos no Doping. O uso de anabolizantes é comum dentro do CrossFit?

Tivemos alguns casos aqui no Brasil. Não considero o uso comum apenas dentro do CrossFit, o anabolizante está em diversas modalidades, na luta e na própria musculação é muito usado. É um assunto muito polêmico. Realmente no CrossFit, exatamente pela maioria das competições não existirem os exames antidoping, acabou tornando-se algo muito comum. Nós temos hoje pouquíssimas competições, só as principais, que fazem os exames. A maioria das competições não fazem. Qual a competição no Brasil que faz os exames? Nenhuma, então se tornou algo muito comum.

Por que as pessoas estão procurando os anabolizantes para o CrossFit?

Porque como no CrossFit é importante se ter uma recuperação rápida, os praticantes acabam procurando os anabolizantes. Infelizmente tornou-se algo comum. O perigo disso é a saúde. Pois é usado sem acompanhamento médico. Porém, se for com a acompanhamento a gente precisa identificar se esse profissional sabe realmente o que está fazendo. Respeito muito a profissão e não passo por cima dos médicos, mas a gente sabe que existe muito profissional que acaba atraindo o paciente por conta disso. Esse é de fato um assunto muito polêmico, mas vejo isso como um perigo para os nossos atletas e praticantes.

Você ganhou o prêmio de “Melhor Nutricionista” no Melhores do Ano CF 2018. Como foi isso?

Receber o prêmio foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Eu pensei na hora: “Caramba! Quatro anos e meio depois e hoje as pessoas te colocaram na posição de melhor profissional da sua área e no esporte que você tanto ama”. Foi além do que eu sonhei, foi muito além do que almejei. Eu queria agradecer a cada um, de verdade. A minha forma de agradecer é continuar espalhando o meu trabalho, continuar levando a saúde dentro do CrossFit!

Deixe um recado para seus fãs que seguem a HORA DO BURPEE.

Queria agradecer pela oportunidade de falar um pouco sobre o meu trabalho. Atualmente 95% dos meus pacientes são Crossfit, portanto eu vivo e respiro esse esporte quase que 24 horas por dia.  Tenho uma paixão gigante por tudo o que o CrossFit me trouxe e continua trazendo. Devo isso a todas as pessoas que acreditam e espalham o meu trabalho por aí.

 

*Low Carb – dieta sem ingestão de carboidratos

*Disbiose – designação dada ao desequilíbrio da flora intestinal.

 

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