Diego Zapparoli: “me orgulho de dizer a verdade e não fazer meio campo”

Ele é a voz do TCB. Diego Zapparoli, o Zappa, é uma daquelas pessoas sem papas na língua e com um sonho a tira colo. Com uma visão própria sobre o cenário do CrossFit, Zappa conversou com a nossa equipe para falar um pouco de sua carreira e como vê o crescimento do CrossFit no Brasil. Em um papo franco, o locutor falou sobre o lado positivo e negativo dos novos eventos, o trabalho em parceria na locução, como consegue viver do Cross, sua participação na cobertura do Reebok CrossFit Games com o Hugo Cross, entre outras coisas. Leia a nossa entrevista e conheça um pouco mais de um dos principais narradores do país:

Quem é Diego Zapparoli?

Essa é uma pergunta que eu me faço constantemente, eu sei os meus princípios, ser leal, amigo, amar a família e proteger os que amo. Mas por me perguntar constantemente quem eu sou me mantém sempre renovado, sempre em movimento, sempre querendo melhorar.

Como você descobriu o CrossFit? A quanto tempo treina?

Esse ano completo cinco anos treinando CrossFit. Comecei na CrossFit Zn. Porém antes eu lutava Jiu-Jitsu e percebi que um amigo estava evoluindo muito fisicamente nos treinos. Então perguntei o que ele estava fazendo e ele me respondeu: “CrossFit”. Assim eu fui atrás e conheci a CrossFit ZN, fiz uma aula e viciei.

Como começou a se envolver na locução dos eventos?

Esse foi o famoso “Lugar Certo, Hora Certa”. Porque eu trabalhava no CrossX e fui auxiliar no Check-in dos atletas, justamente numa Seletiva TCB. Infelizmente deu uma confusão e eu fui procurar o Thales (diretor do evento) e ele disse: “Você conhece um pouco?”; eu respondi “Sim”. Então ele disse: “Chama os atletas e vai falando da prova, explicando e etc, só uma bateria e eu já volto”, e me deu o microfone.

Após umas SETE BATERIAS eu olho pro mezanino do Box (Pam CrossFit na época), ele está lá de cima me olhando e fazendo um joinha (risos). Então no final do sábado ele me disse: “Mestre você segura essa narração para mim amanhã?”. No final da seletiva no domingo eu fui chamado pra três campeonatos. Assim, 15 dias depois, o Thales me ligou perguntando se aceitaria narrar o TCB na Laroc.

A cada ano, mais eventos de CrossFit acabam acontecendo, qual a positividade disso e qual o perigo desse fato, na sua opinião?

Eu sempre acho positivo o crescimento e propagação do nosso esporte. Mas acho que esse crescimento sem responsabilidade é muito perigoso. Pois vejo muito campeonato que visa apenas o dinheiro e o “show” e isso coloca muito aluno em risco. Eu por exemplo sou contra prova de “PR” para categorias Iniciantes e Scaled em campeonato. Afinal, o atleta não tem uma base ainda, não tem um recurso de segurança própria. Mas os eventos sempre colocam isso. Primeiro porque os próprios atletas pedem, segundo que fica “legal” o “show de superação”. Tirando esse ego, e essa busca pela “grana”, eu acho que a propagação é muito positiva.

Como você vê a evolução do CrossFit no Brasil?

Hoje eu acho que estamos num período de pausa, o crescimento já foi maior e muita gente abriu Box “porque dava dinheiro”. Mas infelizmente temos um número crescente de Boxes fechando. Porém acho que o CrossFit no Brasil, melhorou muito, vejo um número maior de gente qualificada dando aula, mais Boxes com estrutura aprimorada e se aprimorando e um número muito grande de cursos, campings, seminários isso é um sinal claro da nossa evolução.

Você é o locutor oficial do TCB, maior evento de Cross do país, qual a importância de fazer parte dessa equipe?

Sem dúvida o reconhecimento, o TCB tem como lema “Os melhores do País” e ele busca os melhores staffs, judges, produção, patrocinadores, heads, atletas e consequentemente os melhores narradores.  Esse ano tivemos cinco narradores diferentes nas Seletivas e pra mim foi uma honra estar com todos eles. Aliás, eu afirmo que aprendi MUITO com cada um deles, Faygha (Guba) e sua alegria contagiante, Marcelo Prata com sua intensidade e inovação genial e assumo sem nenhum ego que hoje ele é o maior do país. A Laísa (Santana) e sua capacidade de evolução, Naty (Graciano) sem palavras para ela e sua empatia. Fora que quando ela chegou “tudo aqui era mato” (risos). Ainda teve o Sergio (Sanchez) e seu conhecimento técnico absurdo, cada um com sua qualidade me fizeram evoluir muito. E sim me sinto muito honrado e feliz de estar no TCB pelo 3º ano seguido.

Você narrou todas as seletivas do TCB desse ano. Na sua opinião, qual delas teve os atletas mais fortes?

Analisando o Ranking Geral posso dizer que foi a Seletiva de Vinhedo. Mas se olharmos bem tivemos três recordes em Tubarão na Elite Masculina, recorde na seletiva Rio de Janeiro, recorde feminino na seletiva Pinda. Esse ano acho que foi bem equilibrado, mas ainda assim a Seletiva de Vinhedo se destacou.

Você, quando divide, sempre divide o microfone com grandes nomes da locução no Brasil. Como é fazer parte de um grupo seleto do CrossFit?

Para mim é uma honra e muito bom, poucas pessoas sabem, mas o narrador (eu e alguns) chegamos uma hora antes do evento começar ou seja na maioria das vezes 06h30 ou 7h00 da manhã. Assim vamos direto com energia, intensidade e empolgação até 20h30 ou 21h00 em média. Ou seja, são em média 13 ou 14 horas e dividir com alguém é muito bom fisicamente, para voz e para o público. Assim não fica sempre o mesmo cara falando e falando.

Qual a importância do locutor dentro do evento?

Muita, eu diria de suma importância, o público precisa saber o que está acontecendo e precisa saber de forma interessante e que o prenda na arena. Para o atleta então é mais importante ainda. Na categoria Elite eles precisam saber parciais, quem está na frente, tempo para o final, e nas outras categorias eles querem se divertir! Eu faço questão de chamar todas as equipes, nome por nome, gritar e incentivar cada um. Eu já ouvi inúmeras vezes: “cara o peso só foi porque ouvi tu gritar meu nome” ou “nossa eu não ia fazer, mas você disse que faltava 10 segundos eu aguentei mais um pouco”. Então por isso, tenho certeza que um bom locutor, alguém profissional faz muita diferença.

Como é para você, narrar um campeonato? O que é preciso para ser um bom narrador?

Para mim é maravilhoso, eu hoje transformei um Hobby em um trabalho. Hoje a locução é minha profissão. Narrar pra mim é surreal, eu entro na arena e tudo some, me conecto com cada uma daquelas pessoas e vivo a intensidade a superação de cada um desde o atleta, até o Judge na sua primeira arbitragem e o organizador nervoso para que tudo seja perfeito.

Olha pra ser um bom narrador, tem que AMAR o que faz. Por isso, não pode ser um “job” de fim de semana ou “bico”. Tem que entender o que acontece, tem que estudar os movimentos, saber como flui e tem que ter conhecimento técnico. Mas principalmente tem que ser intenso e com paixão.

Esse ano você participou da cobertura do Games junto ao pessoal do Hugo Cross. Como foi participar da primeira cobertura full time do Brasil?

Desafiador, eu narro fazem quase quatro anos e o campeonato tem em média 2 mil pessoas. Mas o Games teve 7 mil pessoas assistindo, desde o iniciante ao Coach com oito anos de experiência em CrossFit. Então foi desafiador estudar tudo, levar uma informação correta e principalmente, não ser chato por justamente estar longe do contato humano. Mas eu amei, tenho que evoluir muito e estudar ainda mais, mas me daria uma nota oito. Fiquei muito feliz mesmo comigo e com toda a equipe do Hugo Cross.

Você acredita que um dia poderemos chegar ao nível dos americanos nas competições?

Acredito sim, muita gente vai ler essa resposta e rir, ou falar que sou louco, mas em quatro anos o Gui Malheiros será top 10 do Games. Por isso, eu acredito que se continuarmos nesse ritmo em dois anos colocaremos atletas no pódio Master. Sou muito fã da Renata (Pimentel) e ela fez um papel lindo nesse Games, acredito que se Lari Cunha tivesse ido teria feito um excelente papel também.

O Zappa também compete?

Não (risos). “Cara” eu acho o atleta a pessoa mais incrível do mundo. Porque ele passa anos sentindo dor de segunda a segunda, se abdicando de festas, fazendo dieta, trabalho mental, terapia e isso por anos. Mas eu não tenho vontade de competir justamente por não abrir mão dessas coisas

Quais grandes eventos você pode destacar para nós que participou como locutor?

Seletivas TCB e sim o próprio TCB, destaco também os principais dos estados, BTD e Caruaru no Nordeste, o CF League em Curitiba, Extreme Rock no Espírito Santo, mas tenho ainda meus objetivos, tenho meus sonhos. No Brasil ainda quero narrar junto ao meu irmão Marcelo Prata o WodLand e alguma etapa do KVRA. E se somos movidos a sonhos, porque não alguma categoria do Games.

Hoje você consegue viver do CrossFit?

Hoje sim, não é uma profissão que paga luxos, eu consigo me manter com as locuções. Mas é bem desafiador, são dois dias, 14 horas por dia, muitas vezes sem comer, animação no alto e ainda tem evento que oferece 250,00 por dia. Eu me orgulho de dizer a verdade e não fazer meio campo. Porém, sim isso já me fechou algumas portas, para algumas pessoas e eventos é mais importante AMIZADE que o profissional competente e qualificado.

Eu estudo, faço fono, quando me contratam eu as vezes faço as provas pra saber onde o atleta vai sofrer e ainda assim tem campeonato que chama o amigo advogado. Não é fácil viver do CrossFit em nenhuma função, mas hoje eu consigo ralando muito, eu trabalho literalmente todos os dias do mês, durante a semana é negociando, buscando eventos e nos fim de semana narrando.

Você tem patrocinadores?

Hoje eu não tenho nenhum patrocinador, faço um bom trabalho sei do meu potencial, mas tenho 4 mil seguidores e isso para as marcas não é interessante. Aliás, o único apoiador que eu tenho é a Burpee Brasil, porque o Cardoso e a Mel acreditam nas pessoas e não em números.

Como você se vê no futuro dentro do CrossFit?

Mudando vidas, servindo de exemplo, não famoso, mas reconhecido pelo trabalho que eu faço.

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